Tensão energética

Ataques a petroleiros no Golfo Pérsico levam Iraque e Omã a fechar terminais e ampliam crise global do petróleo

Por Suzete Nocrato - Em 12/03/2026 às 12:00 PM

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Navio atacado na costa iraquiana. Foto: Reuters

A escalada da guerra no Oriente Médio provocou uma nova ruptura no fluxo energético global nesta quinta-feira (12), quando Iraque e Omã fecharam seus terminais de petróleo após dois petroleiros serem atacados na costa iraquiana. O episódio ocorre em meio a uma deterioração acelerada da segurança marítima no Golfo Pérsico, região estratégica para o comércio mundial de energia.

A Agência Internacional de Energia (AIE) alertou que o conflito já provoca “a maior crise no fornecimento da história do mercado global de petróleo”, ampliando a pressão sobre preços e cadeias de abastecimento.

A Guarda Revolucionária Islâmica, exército ideológico ligado ao líder supremo do Irã, assumiu a autoria do disparo contra um dos navios atingidos, o petroleiro Safesea Vishnu, de bandeira das Ilhas Marshall e operado por empresas sediadas nos Estados Unidos. Em comunicado divulgado pela mídia estatal iraniana, o grupo afirmou que a embarcação havia “desobedecido e ignorado” alertas.

A nota não mencionou o segundo navio, o Zefyros, com bandeira de Malta e operadora sediada no Reino Unido. Autoridades iraquianas, no entanto, disseram acreditar que o Irã foi responsável pelos dois ataques, que deixaram um tripulante morto e ocorreram enquanto as embarcações realizavam transferência de carga entre navios.

As consequências imediatas foram severas para a infraestrutura energética regional. Segundo Farhan al-Fartousi, diretor-geral da Companhia de Portos Iraquiana, “as operações nos terminais de petróleo do Iraque foram totalmente suspensas, mas os portos comerciais permanecem funcionais”. Um tripulante morreu e 38 pessoas foram resgatadas após os petroleiros pegarem fogo, possivelmente atingidos por um drone aquático iraniano.

Desde quarta-feira, ao menos seis ataques a embarcações foram registrados no Golfo Pérsico, em meio à crescente militarização do Estreito de Ormuz, rota por onde passa uma parcela relevante do petróleo mundial. A estatal SOMO afirmou que o episódio “impacta negativamente a segurança e a economia do Iraque”.

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