Congresso e Mercado
Câmara instala comissão sobre jornada de trabalho em meio a divergências econômicas
Por Julia Fernandes Fraga - Em 28/04/2026 às 4:36 PM

Alencar Santana, à esq., é o presidente da comissão e Leo Prates, à dir.,o relator das propostas. Fotos: Marina Ramos / Câmara dos Deputados
A Câmara dos Deputados avança na tramitação das propostas que tratam da redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6×1 com a instalação de uma comissão especial — movimento que abre uma fase mais sensível do debate, marcada por divergências entre setor produtivo e especialistas sobre os impactos da medida na economia.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou o deputado Leo Prates (PDT-BA) como relator das propostas de emenda à Constituição (PECs) e indicou Alencar Santana (PT-SP) para a presidência do colegiado, que será instalado nesta quarta-feira (29).
Com 38 membros titulares e igual número de suplentes, a comissão passa a concentrar a fase de discussão técnica e política da proposta. A orientação, segundo Motta, é conduzir o tema com “equilíbrio”, ouvindo trabalhadores, empregadores, setor produtivo e representantes do Judiciário.
Debate estruturado
Nos bastidores, no entanto, o andamento da proposta já vem acompanhado de leituras distintas. A redução da jornada, sem corte salarial, passa a mobilizar diferentes setores em torno de seus possíveis efeitos na economia.
A instalação da comissão marca o início de uma etapa mais organizada do debate, com previsão de audiências públicas e participação de especialistas e representantes institucionais.
Projeções divergentes
De um lado, entidades patronais projetam impactos relevantes. Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta para uma possível retração de 0,7% no PIB, enquanto representantes do comércio estimam aumento expressivo nos custos operacionais, com potencial repasse ao consumidor.
Na outra ponta, estudos de instituições como o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) indicam impactos mais limitados, com efeitos concentrados em setores específicos e possibilidade de absorção gradual dos custos.
A diferença entre os cenários apresentados está ligada às premissas adotadas em cada estudo — especialmente sobre produtividade, necessidade de contratações e capacidade de adaptação das empresas.
Enquanto algumas análises consideram efeitos mais diretos sobre custos e preços, outras apontam para ajustes ao longo do tempo, incluindo reorganização produtiva e mudanças na dinâmica do mercado de trabalho.
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