Disputa Nacional
Cenário das eleições 2026 se equilibra e reforça clima de polarização
Por Julia Fernandes Fraga - Em 25/02/2026 às 3:42 PM

Lula e Flávio Bolsonaro são os principais nomes cotados. Foto: Montagem
AtlasIntel e Bloomberg divulgaram nesta quarta-feira (25) novo levantamento sobre a corrida presidencial de 2026, indicando um cenário mais competitivo no segundo turno e mudanças relevantes na percepção eleitoral em relação a janeiro.
O estudo, registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o nº BR-07600/2026, ouviu 4.986 eleitores entre 19 e 24 de fevereiro, com margem de erro de 1 ponto percentual e nível de confiança de 95%.
1º turno: fragmentação à direita
Nos cenários de primeiro turno:
> Lula oscila em torno de 43% a 45%;
> Flávio Bolsonaro não ultrapassa 40%;
> Quando Tarcísio substitui Flávio, atinge 36,2%, enquanto Lula marca 43,3%.
Em hipótese com Flávio e Tarcísio simultaneamente na disputa, a fragmentação favoreceria Lula, que alcançaria 47,1%, patamar próximo de vitória em primeiro turno.
Os percentuais em relação a outros candidatos somam 12%: Romeu Zema (Novo) 3,9%; Ratinho Júnior (PSD) 3,8%; Renan Santos (Missão) 3,2% e Aldo Rebelo (DC) 1,1%.
O levantamento também indica menor taxa de rejeição de Tarcísio (35,5%) em comparação a Flávio (46,4%), reforçando, leitura de especialistas, que o governador paulista é hoje o nome mais competitivo do campo à direita.
Cenário de 2º turno: empate técnico
Na simulação entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), o resultado aparece tecnicamente empatado: 46,2% para Lula e 46,3% para Flávio, dentro da margem de erro.
Já no confronto entre Lula e Tarcísio de Freitas (Republicanos), o governador de São Paulo surge numericamente à frente, com 47,1% contra 45,9% do presidente — também em empate técnico.
Em janeiro, Lula liderava fora da margem de erro contra ambos os nomes. Em um mês, perdeu a vantagem estatística, sinalizando maior competitividade no campo conservador.
Avaliação do governo
A pesquisa mostra deterioração nos índices de aprovação presidencial:
> 51,5% desaprovam o presidente;
> 46,6% aprovam;
> 48,4% classificam o governo como ruim ou péssimo;
> 42,7% avaliam como ótimo ou bom.
Os números representam piora em relação ao mês anterior.
Leitura estratégica
Para o ambiente empresarial, três vetores merecem atenção:
1. Redução da margem de conforto eleitoral > A perda de liderança estatística amplia incertezas e tende a influenciar decisões de investimento de médio prazo;
2. Emergência de alternativa competitiva na direita > A menor rejeição de Tarcísio sugere possível reorganização do campo conservador;
3. Manutenção da polarização estrutural > A soma dos demais candidatos permanece limitada, indicando que a disputa tende novamente a se concentrar em dois polos.
Cenário até outubro
Com sete meses até a votação, o quadro aponta estabilidade dentro de uma faixa de equilíbrio técnico, semelhante ao ambiente observado em 2022, quando a diferença final foi inferior a dois pontos percentuais.
Para o mercado, o foco passa a ser menos a fotografia atual e mais:
> composição de alianças;
> definição de candidaturas oficiais;
> sinalizações econômicas de cada grupo;
> agenda fiscal e regulatória.
A pesquisa não define resultado, mas consolida um ponto: a eleição de 2026 caminha para ser altamente competitiva, com impacto direto sobre percepção de risco, precificação de ativos e estratégia de grandes grupos empresariais.
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