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Copa de 2026 entra na equação da segurança mexicana após ofensiva contra cartel

Por Julia Fernandes Fraga - Em 25/02/2026 às 12:05 AM

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Presidente Claudia Sheinbaum falou publicamente sobre o assunto na segunda, 24. Foto: Reprodução/Instagram

A morte de Nemesio Oseguera, conhecido como “El Mencho”, líder do Cartel Jalisco Nueva Generacion (CJNG), desencadeou uma onda de violência no estado mexicano de Jalisco e impôs o primeiro grande teste de governabilidade à presidente do México, Claudia Sheinbaum. 

Bloqueios de rodovias, incêndios de veículos e confrontos armados foram registrados especialmente na região de Guadalajara — uma das cidades-sede da Copa do Mundo FIFA 2026. Diante do cenário, Sheinbaum afirmou que há “todas as garantias” para a realização do torneio no país e declarou que “não há risco” para visitantes.

A declaração ocorre em meio a um contexto sensível: o México sediará 13 partidas do Mundial, dividindo a organização com Estados Unidos e Canadá. O evento representa uma vitrine global de segurança institucional, estabilidade política e capacidade logística.

O peso econômico e reputacional da Copa

A Copa de 2026 não é apenas um compromisso esportivo. O torneio deve movimentar bilhões de dólares em turismo, infraestrutura e serviços, além de reforçar a imagem internacional do país como destino de investimento.

Guadalajara, Monterrey e Cidade do México concentram parte relevante dessa expectativa econômica. Qualquer instabilidade prolongada pode afetar não apenas a logística do evento, mas a percepção externa sobre controle territorial e governança.

A FIFA informou que monitora a situação em Jalisco e mantém diálogo constante com autoridades mexicanas — um gesto protocolar, mas politicamente significativo.

Continuidade da estratégia “abraços, não balas”

Claudia Sheinbaum reiterou que manterá a política de segurança herdada de Andres Manuel Lopez Obrador, baseada no enfrentamento das causas estruturais da violência e sintetizada no slogan “abraços, não balas”.

A morte de Oseguera, no entanto, reacende o debate sobre a eficácia dessa estratégia. Operações contra chefes do narcotráfico historicamente provocam retaliações imediatas e disputas internas por poder — cenário que pode gerar fragmentação e novos ciclos de violência.

O CJNG é considerado uma das organizações criminosas mais poderosas da América Latina, com forte presença internacional e atuação no tráfico de drogas sintéticas para os Estados Unidos. A cooperação bilateral na área de segurança é tema sensível na relação México–EUA, especialmente em ano pré-eleitoral no cenário norte-americano.

Teste político no início do mandato

Com pouco mais de um ano de mandato, Claudia Sheinbaum enfrenta seu primeiro episódio de grande repercussão internacional. A forma como o governo administra os desdobramentos — tanto no campo operacional quanto na narrativa pública — será determinante para consolidar autoridade interna e credibilidade externa.

O desafio vai além da contenção imediata da violência. Trata-se de garantir estabilidade duradoura e a Copa funcionará como termômetro de governabilidade. No atual ambiente geopolítico, segurança não é apenas questão doméstica — é ativo estratégico de Estado.

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