Forças em disputa

Crise no PL transforma embate familiar em desafio eleitoral

Por Julia Fernandes Fraga - Em 01/07/2026 às 11:29 AM

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Após vídeo de exposição do enteado Flávio Bolsonaro, Michelle deixa a presidência do PL Mulher. Foto: Divulgação

A decisão de Michelle Bolsonaro de deixar a presidência do PL Mulher transforma uma crise que vinha sendo tratada como um embate familiar em um desafio político para o Partido Liberal. Às vésperas do início oficial da campanha eleitoral, a legenda passa a administrar divergências entre dois de seus principais ativos políticos – a ex-primeira-dama e o senador Flávio Bolsonaro (RJ) – enquanto busca preservar o discurso de unidade para a disputa nacional.

Michelle comunicou sua saída ao presidente do partido, Valdemar Costa Neto, durante reunião realizada na terça-feira (30). Em nota, afirmou que deixará o comando do PL Mulher para se dedicar integralmente aos cuidados do ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar, e da filha do casal. A justificativa oficial, porém, ocorre em meio ao desgaste provocado pelo atrito público com Flávio Bolsonaro, exposto nos últimos dias pelas redes sociais.

Da rede social para dentro

Desde a semana passada, Michelle tornou público o desentendimento com o enteado, afirmando ter sido desrespeitada e humilhada durante uma conversa telefônica ocorrida em 2025. A crise ganhou novos capítulos com publicações nas redes sociais e elevou a pressão sobre a direção do partido para evitar que o conflito contaminasse a estratégia eleitoral do PL.

Nos bastidores, lideranças da legenda passaram a defender uma pacificação interna. Segundo relatos publicados pela imprensa nacional, parte dos parlamentares também demonstrava insatisfação com a condução de Michelle no comando do PL Mulher, alegando que seu apoio político era concentrado em candidatos de sua confiança, o que alimentava disputas dentro do partido.

Unidade vira prioridade eleitoral

A prioridade da direção nacional agora é evitar que o desgaste comprometa o desempenho eleitoral do partido. Um dia após conversar com Michelle, Valdemar Costa Neto se reuniu com Flávio Bolsonaro para reforçar a necessidade de encerrar os atritos públicos e preservar a coesão da legenda durante a campanha.

Mesmo deixando a presidência do PL Mulher, Michelle continua sendo considerada uma liderança estratégica para o partido, especialmente pela influência junto ao eleitorado feminino e evangélico. Sua possível candidatura ao Senado pelo Distrito Federal permanece em discussão, embora aliados afirmem que a decisão deverá ser tomada apenas durante o período das convenções partidárias.

Reflexos para a campanha

Ao decidir expor publicamente o conflito com Flávio Bolsonaro, Michelle Bolsonaro sabia que o gesto dificilmente passaria sem consequências dentro do partido. A saída da presidência do PL Mulher é, até aqui, o efeito político mais visível desse movimento. Agora, resta acompanhar se a aposta fortalecerá sua posição como liderança independente no campo conservador ou se reduzirá seu espaço nas articulações da legenda.

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