Governança sob holofotes

Desdobramentos dos casos Master e BRB ecoam no Senado; parlamentares cobram responsabilidade institucional e técnica

Por Julia Fernandes Fraga - Em 04/03/2026 às 12:09 AM

Senadoras

Leila Barros e Margareth Buzetti usaram o tempo de fala na sessão de terça, 3, para jogarem luz sobre a questão. Foto: Montagem

A estabilidade das instituições financeiras e a segurança jurídica do país voltaram ao centro do debate no Senado Federal na terça-feira (3). Em pronunciamentos contundentes, as senadoras Margareth Buzetti (PP-MT) e Leila Barros (PDT-DF) trouxeram à tona as ramificações do Caso Banco Master e a delicada situação fiscal do Banco de Brasília (BRB), desenhando um cenário que exige rigor técnico e transparência absoluta. 

Insegurança jurídica e desgaste institucional

Para a senadora Margareth Buzetti, o impacto do Caso Banco Master ultrapassa as cifras do mercado financeiro, atingindo a confiança da população na higidez das instituições. A parlamentar destacou que o envolvimento de autoridades e as suspeições levantadas sobre o Judiciário criam um “vácuo de credibilidade” que precisa ser preenchido por mecanismos constitucionais de fiscalização.

Um único homem conseguiu colocar em xeque não apenas o mercado financeiro, mas também expor autoridades dos mais diversos matizes”, pontuou Buzetti, defendendo que a Casa discuta instrumentos de responsabilidade para garantir o equilíbrio entre os Poderes.

A crise de gestão no BRB

Em outra frente, a senadora Leila Barros detalhou o impacto direto dessas operações na saúde do BRB. Com um rombo estimado em mais de R$ 8 bilhões, o banco — braço financeiro estratégico do Distrito Federal — enfrenta um processo de capitalização que envolve, inclusive, o uso de imóveis públicos como garantia.

O ponto de maior atenção reside na estratégia de governança adotada em 2025:

> Distribuição de Lucros: enquanto a média histórica de distribuição aos acionistas era de 39,51%, o banco efetuou um repasse agressivo de 62,96%;

> Risco Sistêmico: a senadora questionou se houve erro técnico, omissão ou direcionamento político nas decisões que levaram o banco à atual situação de fragilidade.

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