Nova Geração

Entre negócios e política, David Paes Forte projeta agenda de inovação para o Ceará

Por Julia Fernandes Fraga - Em 21/03/2026 às 12:11 AM

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À frente de iniciativas como o Ceará Tech Hub, David defende um novo rumo econômico para o Estado. Fotos: Divulgação

Com atuação que transita entre o empreendedorismo, a economia criativa e a articulação institucional, David Paes de Andrade Forte começa a ocupar espaço no debate sobre o futuro do Ceará ao defender uma agenda centrada em tecnologia, qualificação profissional e fortalecimento do setor privado. Como idealizador do Ceará Tech Hub e apoiador do Sana , ele também admite, de forma condicionada, a possibilidade de ingressar na vida pública. 

Trajetória

Filho do deputado federal Danilo Forte e neto do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Antonio Paes de Andrade, David cresceu próximo ao ambiente político, mas seguiu inicialmente pelo caminho empresarial – sem deixar de lado a lição da famosa frase de seu avô: “deixo meu legado de mãos limpas”, a qual se reflete no valor do trabalho dedicado, honesto e transparente. 

Formado em engenharia civil pela Universidade de Fortaleza (Unifor), com MBA em gerenciamento de projetos pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e prestes a iniciar um mestrado em Economia pela Universidade Federal do Ceará (UFC), ele construiu a carreira fora do eixo político tradicional. Atuou no setor de eventos corporativos — inclusive como sócio do Coco Bambu em Santa Catarina — antes de levar sua experiência para Brasília, retornando recentemente à  Fortaleza.  

Visão de Ceará

A partir das suas experiências em gestão, David passou a estruturar uma leitura mais ampla sobre o Estado. Ele sustenta que o Ceará tem potencial subaproveitado e critica a dependência do setor público, defendendo maior equilíbrio com a iniciativa privada, que, em sua visão, atualmente opera com peso desigual. “Eu digo que o Ceará tem um PIB engavetado ainda”, afirma.

Na avaliação do jovem empresário, o avanço passa por criar um ambiente mais favorável ao setor privado, com ênfase na interiorização do desenvolvimento e na criação de ambientes mais atrativos para novos negócios nos municípios, além de aproveitar de modo mais eficiente ativos como localização, energia e capital humano. 

Usando o exemplo de sucesso do Sana, David vê um ambiente que funciona como ponte entre jovens, marcas e formação profissional, além de porta de entrada para carreiras em tecnologia e engenharia, aproximando a juventude de áreas como programação, computação e mecatrônica. “O Sana é a maneira mais fácil de fisgar a atenção das pessoas pelo que elas gostam. Porque todo mundo é fã de alguma coisa”, defende.

Tecnologia e futuro

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Na edição de 2025, o ex-presidente do Banco Central e vice-chairman do Nubank, Roberto Campos Neto – ao centro – , foi um dos palestrantes convidados

Nesse cenário, tecnologia e infraestrutura aparecem como eixos centrais. David Paes aponta o potencial do Ceará para data centers, conectividade e pesquisa em inteligência artificial, associado à oferta de energia renovável. “O Ceará tem um potencial muito grande no universo de processamento de dados, por conta da condição geográfica que a gente tem”, analisa.

A proposta se materializa no Ceará Tech Hub, iniciativa criada por ele para reunir empresários e especialistas em torno dessas oportunidades.

“A gente fez o Ceará Tech Hub para juntar as cabeças pensantes. Reunimos nomes de peso como Roberto Campos Neto, Carlos Baigorri, o deputado federal Aguinaldo Ribeiro — relator da regulação da IA —, além de lideranças da Brisanet, Vestas e ex-CEOs de Tim e Oi para mostrar que o nosso estado tem tudo para ser protagonista”, explica.

Segundo ele, “o Brasil, por sua geopolítica e capacidade de entregar projetos com baixíssima pegada de carbono, tornou-se a saída para grandes players globais”. Prova disso, afirma David, é o data center que será operado pela Omnia, no Complexo Portuário do Pecém, para atender à big tech chinesa ByteDance. 

Para a segunda edição do Ceará Tech Hub, prevista para agosto, os debates devem se direcionar ainda mais para o mercado de telecomunicações, fibra óptica, energia, capacitação de mão de obra e projetos de infraestrutura digital. 

“Eu costumo dizer que […] o futuro tecnológico está batendo à porta e temos uma oportunidade única de transformar nossa vocação natural em desenvolvimento econômico real, garantindo que o Ceará não apenas participe, mas lidere essa nova era da inovação”, frisa David Paes.

Educação e talentos

Outro ponto recorrente em seu posicionamento – e que se relaciona diretamente ao tema anterior – é o descompasso entre a qualidade da educação e a retenção de talentos. “Ninguém mais feliz com a educação cearense do que as empresas de São Paulo”, decreta.

Para David, o estado forma bons profissionais, mas ainda não consegue gerar oportunidades suficientes para mantê-los, o que exige maior conexão entre formação e mercado. Ele enxerga uma lacuna na representação de pautas contemporâneas, especialmente ligadas ao ambiente digital, como segurança de dados e letramento midiático. 

Política e passos futuros

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David reconhece a influência marcante recebida do pai, o deputado federal Danilo Forte, e do avô, Paes de Andrade, ex-presidente da Câmara dos Deputados

O conjunto de ideias se projeta também no campo político. Questionado sobre uma eventual candidatura, ele admite a possibilidade, condicionada ao cenário envolvendo o pai, o deputado federal Danilo Forte. “São muitos ‘se’. Depende da conjuntura”, resume. Caso avance, a intenção é disputar uma vaga na Câmara Federal já nas eleições de outubro.

Enquanto o quadro não se define, David Paes Forte indica que seguirá atuando na articulação de projetos e na difusão de uma agenda voltada ao desenvolvimento, além de estar focado em entender a realidade dos municípios antes de qualquer passo na vida pública. “A ideia é continuar fomentando essa consciência de que o Ceará pode muito mais, mas a gente não tá conseguindo fazer. Só precisa organizar a casa”, conclui.

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