Disputa paulista

Fora do Ministério da Fazenda, Haddad inicia pré-campanha ao governo de SP

Por Julia Fernandes Fraga - Em 20/03/2026 às 2:48 PM

Haddad

Ex-prefeito da Capital, Fernando Haddad se candidatou ao governo em 2022. Foto: Reprodução/Instagram

O agora ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), entrou oficialmente no tabuleiro eleitoral paulista ao confirmar sua pré-candidatura ao Governo de São Paulo e já iniciou a construção de discurso e articulações.

Em agenda nesta sexta-feira (20), o petista saiu em defesa da ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), cotada para o Senado em sua chapa, ao rebater críticas sobre suas raízes no Estado e comparar sua trajetória à do atual governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Haddad afirmou que Tebet tem “muito mais raízes em São Paulo” e criticou aliados do governador que a classificaram como “forasteira”. No mesmo tom, questionou a conexão de Tarcísio com o Estado, sinalizando que o debate eleitoral deve avançar também sobre identidade política e vínculo regional.

A movimentação ocorre um dia após o aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e anúncio de Dario Durigan como substituto de Haddad no comando da Fazednda. O movimento faz parte da articulação política para as eleições de outubro, com o petista totalmente dedicado à disputa paulista.

Articulações

Nos bastidores, Haddad já iniciou conversas para formar a chapa e ampliar a base de apoio. A expectativa, segundo ele, é manter ao menos a coalizão de 2022 — que reuniu PT, PCdoB, PV, PSB, PSOL, Rede e Agir —, mas com abertura para novos aliados, inclusive de perfil conservador.

“Não tenho preconceito contra apoio de partidos conservadores, desde que princípios e valores sejam preservados”, assegurou. Entre os nomes em discussão para a composição majoritária, aparecem o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro Márcio França, ambos com forte interlocução no interior paulista — região onde Haddad reconhece maior dificuldade eleitoral.

Estratégias

O petista também indicou que pretende adotar uma campanha focada em “debate de ideias” e na comparação entre gestões. Um dos eixos será evidenciar investimentos federais em São Paulo e explorar fragilidades da atual administração estadual.

Haddad admitiu que o desempenho no interior foi determinante para a derrota em 2022 e apontou a necessidade de ampliar o diálogo com eleitores mais conservadores. “É um desafio que não é só local, é mundial”, avaliou.

Ao mesmo tempo, buscou afastar a narrativa de candidatura protocolar. “Nunca existiu barganha. Eu disputo eleição para ganhar”, reforçou.

Análise IN

A nova investida de Fernando Haddad recoloca o PT em uma disputa estratégica. Embora o partido nunca tenha vencido o governo paulista, a candidatura é vista como peça-chave para equilibrar forças no Estado e impactar o cenário nacional. Do outro lado, Tarcísio de Freitas deve buscar a reeleição com o peso da máquina estadual e altos índices de aprovação, antecipando um confronto direto que tende a dominar o debate político nos próximos meses.

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