Território e Memória

Formação de Fortaleza é revisitada sob olhar social e urbano no tricentenário

Por Julia Fernandes Fraga - Em 23/04/2026 às 1:42 AM

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Artur Bruno e Airton de Farias são os autores. Fotos: Reprodução/Instagram

No embalo das comemorações pelos 300 anos, Fortaleza ganha um novo olhar sobre si mesma. Lançada na quarta-feira (22), no Paço Municipal, a edição atualizada de “Fortaleza: uma breve história”, de Artur Bruno e Airton de Farias reposiciona a trajetória da Capital como chave para entender — e enfrentar — suas desigualdades.

Durante o lançamento, o prefeito Evandro Leitão (PT) destacou o papel da memória como ferramenta de planejamento, associando o tricentenário a um momento de reflexão sobre os rumos da cidade.

Para Artur Bruno, a nova edição mostra o esforço de revisão e ampliação do conteúdo, incluindo lacunas históricas e atualizações recentes. Segundo ele, o livro se propõe a aproximar o cidadão da própria cidade. “É uma bela síntese, de Pinzón a Evandro Leitão. A gente só ama aquilo que conhece”, ressaltou.

Airton de Farias apontou o caráter acessível da obra e a proposta de dialogar com o público para além da história política. “Não é uma história só política, é uma história social, que mostra uma cidade marcada por contradições e relações que ajudam a entender o presente”, explicou.

Obra

Com 280 páginas, mais de 100 imagens e base em mais de 200 obras, o livro percorre a formação da cidade desde a passagem de Vicente Pinzón, em 1500 — anterior à chegada de Cabral — até os dias atuais, incorporando gestões recentes e novas leituras sobre o crescimento urbano.

A obra vai além da cronologia e propõe uma leitura que conecta expansão econômica, ocupação do território e contradições sociais. Hoje, Fortaleza figura entre os principais polos econômicos do país, mas ainda convive com altos índices de pobreza — um contraste que ajuda a explicar desafios estruturais persistentes.

A nova edição também amplia o olhar sobre aspectos sociais, incluindo temas como participação de mulheres, presença indígena e os impactos do crescimento acelerado ao longo do século XX.

Ao integrar o calendário dos 300 anos, o lançamento reforça uma linha cada vez mais presente nas comemorações: a de que celebrar Fortaleza passa também por revisitar suas camadas mais profundas — e encarar suas contradições.

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