Tabuleiro paulista
Governo polarizado e Senado em disputa aberta tensionam a eleição em SP
Por Julia Fernandes Fraga - Em 06/04/2026 às 3:46 PM

O Palácio dos Bandeirantes é a sede do governo paulista. Foto: Governo SP
A eleição em São Paulo avança para sua fase mais concreta com dois movimentos simultâneos: a polarização praticamente definida na corrida ao governo e uma disputa aberta — e congestionada — pelas vagas ao Senado, hoje o principal espaço de negociação política no Estado.
Governo consolida eixo de polarização
A corrida ao Palácio dos Bandeirantes se estrutura entre o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o ex-ministro Fernando Haddad (PT), em um cenário de baixa fragmentação. Levantamento Atlas/Estadão aponta 49,1% para Tarcísio e 42,6% para Haddad, enquanto candidaturas alternativas permanecem periféricas.
A tendência, segundo analistas, é de uma disputa concentrada, com possibilidade de definição ainda no primeiro turno, a depender do nível de dispersão fora dos dois polos.
Senado concentra disputa e pressiona alianças
Se o governo se encaminha para uma disputa direta, o Senado se torna o eixo mais sensível da montagem política em São Paulo.
No campo da esquerda, nomes como Simone Tebet, recém-filiada ao PSB, e Marina Silva — que decidiu permanecer na Rede — se somam a lideranças como Márcio França (PSB) e Guilherme Boulos (PSOL) em uma disputa que ainda exige acomodação.
Com mais postulantes do que vagas, a definição passa a depender de negociação interna e equilíbrio entre partidos da frente alinhada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). De acordo com França, em julho deve ser batido o martelo.
Na direita, PL e PP mantêm o cenário em aberto. Circulam nomes como Ricardo Mello Araújo, Marcos Feliciano, Mário Frias e Guilherme Derrite, sob influência do ex-presidente Jair Bolsonaro e com participação ativa de lideranças próximas ao governador Tarcísio.
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Sendo o maior colégio eleitoral do país, São Paulo entra em uma fase de definição estratégica. Com o governo já encaminhado para uma polarização direta, o centro real da disputa migra para o Senado — onde partidos negociam espaço, influência e protagonismo.
É nesse eixo que se dará o ajuste fino das alianças e a distribuição de forças para o próximo ciclo político. Em um Estado que costuma marcar movimentos nacionais, o desenho que emerge entre os paulistas não apenas organiza a eleição local, mas sinaliza o equilíbrio de poder que deve se projetar para Brasília.
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