Alerta Global
HRW destaca papel estratégico do Brasil em possível aliança para responder ataques de Trump contra direitos humanos
Por Suzete Nocrato - Em 04/02/2026 às 11:30 AM

Relatório alerta que Donald Trump está conduzindo os Estados Unidos em direção a um estado autoritário. Foto: Bloomberg
O sistema internacional de direitos humanos enfrenta seu momento mais delicado desde o fim da Guerra Fria, segundo alerta a Human Rights Watch (HRW) na 36ª edição do Relatório Mundial de Direitos Humanos, divulgada nesta quarta-feira (4). O documento traça um panorama de retrocessos democráticos em escala global e afirma que a combinação de ataques internos e pressões externas ameaça as bases da ordem internacional baseada em regras.
De acordo com a organização, sediada em Nova York, o presidente Donald Trump estaria conduzindo os Estados Unidos “em direção a um estado autoritário”, em um contexto no qual democracia e direitos humanos sofrem investidas simultâneas em diversas regiões do mundo. Como resposta a esse cenário, a organização defende a criação urgente de uma nova aliança global de países comprometidos com os direitos fundamentais, citando o Brasil como um de seus possíveis pilares centrais.
“O sistema global de direitos humanos está em perigo”, afirmou Philippe Bolopion, diretor-adjunto da HRW, em comunicado. “Sob pressão implacável do presidente Trump, e persistentemente minada pela China e pela Rússia, a ordem internacional baseada em regras está sendo destruída, ameaçando levar consigo a arquitetura na qual os defensores dos direitos humanos passaram a confiar para promover normas e proteger liberdades.”
Ataques a pilares democráticos
Embora reconheça que o declínio democrático antecede o atual mandato de Trump, o relatório aponta 2025 como um verdadeiro “ponto de virada”. Estudos citados pela organização indicam que a democracia global teria regredido a níveis equivalentes aos de 1985, com 72% da população mundial vivendo atualmente sob regimes autoritários. Rússia e China são descritas como menos livres do que há 20 anos — um diagnóstico que, segundo a HRW, também passa a se aplicar aos Estados Unidos.
No caso norte-americano, a entidade afirma que Trump demonstrou “um flagrante desrespeito aos direitos humanos”, citando o envio de agentes mascarados do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) para realizar “centenas de batidas desnecessariamente violentas”, incluindo operações em Minneapolis, Minnesota. A organização também acusa Washington de cometer desaparecimentos forçados ao transferir 252 migrantes venezuelanos para uma prisão de segurança máxima em El Salvador, prática classificada como crime pelo direito internacional.
As críticas se estendem à política externa dos Estados Unidos. A HRW acusa o governo Trump de recorrer a uma lei de 1798 para deportar centenas de venezuelanos a uma prisão em El Salvador, onde teriam sido torturados e abusados sexualmente. A organização também atribui a operações norte-americanas no Caribe e no Pacífico mais de 120 mortes extrajudiciais. Após a captura, em 3 de janeiro, do então presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, Trump declarou que os EUA passariam a “governar” a Venezuela e controlar suas reservas de petróleo.
Ao final, o relatório sustenta que a atual conjuntura representa uma ameaça sem precedentes à arquitetura internacional de proteção dos direitos humanos, exigindo respostas coordenadas e imediatas da comunidade internacional para conter o avanço do autoritarismo global.
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