Agenda Logística

Impasse da Transnordestina une pressão institucional e disputa política em Pernambuco

Por Julia Fernandes Fraga - Em 18/05/2026 às 6:58 PM

Transnordestinape

Ramal foi retomado na gestão do presidente Lula e inserido entre os projetos do Novo PAC. Foto: Divulgação/TLSA

A decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) de suspender novos compromissos financeiros para a retomada do trecho pernambucano da Transnordestina abriu uma nova frente de tensão política e institucional em torno de uma das obras logísticas mais estratégicas do Nordeste, conectando os corredores ferroviários de Pernambuco e Ceará.

O TCU determinou que o Ministério dos Transportes e a Infra S.A. não assumam novos gastos relacionados ao trecho até que sejam atualizados os estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental da ferrovia. A corte apontou ausência de comprovação da vantajosidade socioeconômica do empreendimento. A decisão, porém, não paralisa contratos já firmados nem encerra definitivamente o projeto.

O trecho pernambucano possui atualmente cerca de 179 quilômetros concluídos e outros 100 quilômetros semiprontos. Com a medida, Sudene, bancada federal, governo estadual e setores produtivos se mobilizaram em defesa da continuidade do ramal entre Salgueiro e o Porto de Suape, reacendendo o debate sobre infraestrutura, desenvolvimento regional e integração logística.

Sudene articula reação

A Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) passou a atuar para tentar reverter a decisão e prepara um novo relatório técnico para apresentar ao tribunal.

Segundo o superintendente Francisco Alexandre, o entendimento do TCU teria sido baseado em estudos antigos, elaborados ainda em outro contexto do projeto ferroviário. Hoje, segundo ele, a diretriz do Governo Federal é consolidar os dois eixos logísticos da Transnordestina — Pernambuco e Ceará. 

Embate político cresce

A suspensão do avanço financeiro da ferrovia também ampliou o embate político em Pernambuco, já sob influência do cenário eleitoral de 2026.

No Senado, Humberto Costa (PT) criticou a decisão do TCU e atribuiu ao governo Bolsonaro e ao então ministro Tarcísio de Freitas a retirada anterior de Pernambuco do projeto original da Transnordestina.

Já o ex-prefeito do Recife e pré-candidato ao governo estadual, João Campos (PSB), associou o impasse à falta de articulação política do Executivo pernambucano.

A reação governista veio do deputado federal Túlio Gadêlha (PSD), aliado da governadora Raquel Lyra (PSD). O parlamentar rebateu as críticas e afirmou que a suspensão ocorreu por decisão técnica do TCU, além de destacar a articulação do governo estadual junto ao Novo PAC e à bancada federal.

Debate estratégico

O caso recolocou a Transnordestina no centro da agenda política e econômica do Nordeste, reunindo interesses logísticos, disputas federativas e pressão por investimentos estruturantes.

A reação à decisão acabou formando uma rara convergência entre Sudene, Porto de Suape, FIEPE, bancada federal e governo estadual em torno da defesa da obra.

A Sudene sustenta que a ferrovia deve ser analisada não apenas sob lógica financeira, mas também pelo impacto regional na geração de empregos, integração logística e redução de custos operacionais no Nordeste.

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