
Presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, exige reconhecimento dos direitos do país. Foto: : Angelina Katsanis/AP Photo
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, apresentou ontem três exigências para encerrar o conflito envolvendo Estados Unidos e Israel, ampliando o debate diplomático em torno da guerra no Oriente Médio iniciada após ataques militares no final de fevereiro. Segundo o líder iraniano, qualquer caminho para a paz depende do reconhecimento dos direitos do Irã, do pagamento de reparações ao país e da concessão de garantias internacionais contra novas agressões.
Em mensagem publicada na rede social X, antigo Twitter, após conversa com líderes da Rússia e do Paquistão, Pezeshkian afirmou: “Reafirmei o compromisso do Irã com a paz na região. A única maneira de pôr fim a esta guerra — instigada pelo regime sionista e pelos EUA — é reconhecer os direitos legítimos do Irã, pagar reparações e oferecer firmes garantias internacionais contra futuras agressões”.
Apesar da manifestação política, o sistema institucional iraniano limita o poder do presidente em decisões militares dessa magnitude. Pelo regime político do Irã, quem detém a autoridade máxima é o líder supremo, atualmente Mojtaba Khamenei, escolhido pela assembleia de clérigos para suceder seu pai, Ali Khamenei, morto em um ataque realizado por Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro, episódio que marcou a escalada do conflito regional. O novo líder sofreu ferimentos leves no mesmo ataque, mas permanece à frente do comando político e religioso do país em meio à continuidade das hostilidades.
Operação militar
Do lado americano, o presidente Donald Trump afirmou ontem que os Estados Unidos já teriam vencido a guerra contra o Irã, embora tenha ressaltado que a operação militar ainda não foi concluída. “Deixe-me dizer que vencemos. Sabe, nunca é bom dizer que se venceu muito cedo. Nós vencemos. Vencemos, na primeira hora já estava tudo decidido, mas vencemos”, declarou o presidente.
A afirmação ocorreu poucas horas depois de Trump sugerir que o conflito poderia terminar em breve, mas ele próprio indicou que as operações ainda devem continuar. “Não queremos ir embora antes da hora, certo? Temos que terminar o trabalho, não?”, disse.
O líder republicano também indicou que o confronto pode prosseguir para evitar novos ciclos de intervenção militar na região. Segundo Trump, os Estados Unidos não desejam “ter que voltar [ao Irã] a cada dois anos”. Mais cedo, ele afirmou que as forças americanas “derrubaram” a liderança do Irã duas vezes, sem citar nomes específicos, acrescentando que “agora há um novo grupo assumindo. Vamos ver o que acontece com eles”.
Enquanto as declarações evidenciam posições duras de ambos os lados, analistas internacionais avaliam que o conflito ainda enfrenta um impasse diplomático significativo, com impactos diretos sobre a estabilidade geopolítica e os mercados globais.

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