Eleições 2026

Novo oficializa Zema à Presidência e amplia disputa pelo eleitorado de direita

Por Fernando Benevides - Em 27/07/2026 às 4:22 PM

Ex-governador de Minas entra na corrida ao Planalto ainda sem vice e sem alianças fechadas, defendendo privatizações e reformas e buscando espaço próprio em um campo de oposição cada vez mais fragmentado

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Zema disputará a Presidência

O Partido Novo oficializou nesta segunda-feira (27) a escolha de Romeu Zema para disputar a Presidência da República em 2026. A decisão ocorreu por aclamação durante convenção nacional da legenda, realizada de forma online e seguida de ato político em Brasília. O movimento acrescenta mais um nome à oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e amplia a disputa pelo eleitorado de direita.

Será a primeira eleição presidencial de Zema. Empresário e administrador, ele ingressou na política eleitoral em 2018, quando venceu a disputa pelo Governo de Minas Gerais, e foi reeleito em 2022.

A candidatura chega, porém, com duas definições importantes ainda em aberto. O Novo não anunciou o candidato a vice-presidente nem fechou alianças nacionais com outras siglas. Zema afirmou que as negociações continuam e admite inclusive a possibilidade de uma chapa formada exclusivamente pelo partido.

Discurso contra o PT e agenda liberal

Na convenção, Zema apresentou sua experiência no setor privado e os dois mandatos em Minas Gerais como credenciais para a disputa nacional e concentrou críticas no PT e no governo Lula.

Na economia, reafirmou bandeiras históricas do Novo. Defendeu um amplo programa de privatizações, redução da participação do Estado e novas reformas administrativa e previdenciária. Segurança pública também apareceu entre os principais eixos do discurso.

A estratégia começa a revelar o espaço que o candidato pretende ocupar: uma direita identificada com gestão, responsabilidade fiscal, reformas estruturais e menor presença estatal na economia.

Entre as lideranças presentes no ato estava o senador cearense Eduardo Girão (Novo-CE), um dos principais nomes nacionais da legenda e também inserido na disputa eleitoral no Ceará.

Direita terá disputa dentro da disputa

A entrada formal de Zema ocorre quando o desenho da eleição presidencial começa a ganhar contornos mais claros.

Outros nomes do campo oposicionista avançam em suas candidaturas, criando uma disputa interna na direita por eleitorado, alianças, palanques estaduais e protagonismo nacional.

É justamente nesse ponto que a candidatura do Novo ganha relevância além do desempenho individual de Zema. Quanto maior o número de candidaturas competitivas no campo antipetista, maior tende a ser a fragmentação no primeiro turno — e mais intensa será a disputa para definir quem poderá liderar uma eventual convergência da oposição.

Zema já defendeu que diferentes candidaturas de direita disputem o primeiro turno e que, posteriormente, haja união em torno daquele que avançar para enfrentar o PT.

A estratégia será testada quando a campanha colocar os candidatos disputando diretamente parcelas semelhantes do eleitorado.

Vice será o próximo movimento

A escolha do vice passa agora a ser um dos primeiros testes políticos da candidatura. Uma composição com outra legenda poderia ampliar tempo político, capilaridade regional e palanques estaduais. Uma chapa exclusivamente do Novo, por outro lado, reforçaria a identidade partidária, mas deixaria Zema mais dependente da própria estrutura nacional da sigla.

Há ainda uma precisão do calendário eleitoral. A convenção desta segunda-feira formalizou a escolha partidária de Zema, mas o registro da candidatura ainda deverá ser apresentado à Justiça Eleitoral. Partidos e coligações têm até as 19 horas de 15 de agosto para requerer os registros.

O desafio seguinte será transformar uma trajetória fortemente associada a Minas Gerais — segundo maior colégio eleitoral do País — em uma candidatura efetivamente nacional.

Zema está oficialmente no jogo. O tamanho que ocupará nele dependerá agora da escolha do vice, das alianças que conseguir construir e de sua capacidade de disputar a liderança de uma direita que chega a 2026 com mais de um projeto para o Planalto.

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