ELEIÇÕES 2026
Presidente do PL projeta Flávio Bolsonaro no segundo turno e expõe disputa interna na direita
Por Marlyana Lima - Em 30/03/2026 às 6:26 PM

Valdemar da Costa Neto não vê Ronaldo Caiado com chances nas eleições presidenciais – Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
O presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, antecipou o que considera inevitável no cenário eleitoral: um segundo turno entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A declaração foi feita nesta segunda-feira (30), durante coletiva após o evento “Cenários do Brasil 2026”, promovido pelo Lide Global, em São Paulo, que reuniu cerca de 300 empresários.
Mais do que uma projeção, a fala revela uma estratégia em construção dentro do Partido Liberal (PL): consolidar Flávio Bolsonaro como principal nome da direita e evitar a fragmentação do campo conservador ainda no primeiro turno das eleições 2026. Segundo Valdemar da Costa Neto, o cenário ideal seria a união das candidaturas em torno de um único projeto competitivo.
Caiado oficializa candidatura

PSD oficializou o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, como pré-candidato à Presidência – Foto: Reprodução
A movimentação ocorre no mesmo dia em que o PSD (Partido Social Democrático) oficializou o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, como pré-candidato à Presidência da República. Apesar de reconhecer o capital político e a alta aprovação de Caiado, Valdemar demonstrou dúvidas sobre a viabilidade eleitoral da candidatura e indicou expectativa de alinhamento futuro.
Nos bastidores, o cenário é mais complexo. O PSD articula múltiplas frentes e mantém apoio a lideranças como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, evidenciando uma disputa interna na direita ainda distante de consenso.
Enquanto isso, Flávio Bolsonaro ganha protagonismo político, impulsionado também pelo afastamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar humanitária por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Pesquisas recentes indicam empate técnico entre Flávio Bolsonaro e Lula em simulações de segundo turno, mesmo sem definição completa das chapas.
O cenário político também se movimenta nos estados. No Rio de Janeiro, o ex-governador Cláudio Castro (PL) deixou o cargo e se tornou inelegível por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas segue apoiado pelo partido para uma vaga no Senado. Já no Paraná, a filiação do senador Sergio Moro ao PL gerou tensões internas e uma debandada de prefeitos aliados.
Com o prazo de desincompatibilização se aproximando e o primeiro turno marcado para outubro, o cenário das eleições presidenciais no Brasil aponta para mais uma disputa marcada pela polarização entre direita e esquerda, ainda que em fase de reorganização estratégica.
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