Decisão partidária
PSD escolhe Caiado e assume estratégia mais à direita para campanha presidencial
Por Julia Fernandes Fraga - Em 30/03/2026 às 2:51 PM

Eduardo Leite era o outro nome disponível e se mostrou incomodado com a decisão. Foto: Montagem
A entrada de Ronaldo Caiado na corrida presidencial, oficializada pelo PSD nesta segunda-feira (30), vai além do lançamento de um nome: sinaliza uma mudança clara de estratégia e pressiona diretamente o campo de centro na eleição de 2026.
Ao optar pelo governador de Goiás, Gilberto Kassab reposiciona o partido. O PSD deixa de apostar em uma candidatura de centro moderado e assume um perfil mais assertivo, com foco no eleitor conservador e em pautas como segurança pública e agronegócio.
Direção definida
A decisão encerra a disputa interna com Eduardo Leite, após a desistência de Ratinho Junior, mas abre fissuras. Em publicação hoje, Leite afirmou estar “desencantado” e disse que a escolha mantém “esse ambiente de polarização radicalizada” no país.
A interpretação é direta: Kassab priorizou viabilidade eleitoral. Avalia que Caiado tem mais chances de chegar ao segundo turno e enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Disputa à direita
Caiado entra para disputar um espaço ainda em reorganização. Sem Jair Bolsonaro na corrida, a direita busca um nome competitivo — e o PSD tenta ocupar essa lacuna com um perfil de gestão, menos dependente do bolsonarismo.
Ratinho Junior reforçou essa linha ao afirmar que o partido escolheu “um homem aprovado como gestor, com trabalho reconhecido nacionalmente”.
Centro fica sem eixo
O movimento tem efeito colateral imediato: esvazia ainda mais o centro. Leite vinha se colocando como alternativa moderada dentro do PSD. Com a derrota interna, esse espaço volta a ficar difuso no cenário nacional. Abre-se, assim, uma lacuna para outras forças tentarem ocupar esse campo — ainda sem liderança clara.
O limite da estratégia
O desafio, porém, permanece. Como crescer sem ser absorvido pela polarização?
A ministra de Relações institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou que Caiado é “uma figura mais agressiva”, mas avaliou que deve ficar na “periferia da eleição”. O diagnóstico é de que há espaço para pressão, mas não está claro se há espaço real para romper o eixo principal da disputa.
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