Pressão interna

Recuo de Ratinho Jr. redesenha tabuleiro do PSD e disputa no Paraná

Por Julia Fernandes Fraga - Em 24/03/2026 às 4:34 PM

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Governador paraense, junto a Ronaldo Caiado e Eduardo Leite, era uma das apostas de Gilberto Kassab. Foto: Divulgação

A desistência do governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), da pré-candidatura à Presidência em 2026 foi resultado de uma combinação de fatores pessoais e políticos, com impacto direto no redesenho do tabuleiro eleitoral — tanto no estado quanto no plano nacional.

Pressão familiar e fator pessoal

Nos bastidores, a família teve peso decisivo. Aliados relatam que o pai do governador, o apresentador Ratinho, sempre se posicionou contra a candidatura presidencial, temendo a exposição dos negócios familiares.

Além disso, os filhos — de 22, 17 e 13 anos — também foram contrários ao projeto, citando preocupações com segurança em um cenário recente marcado por episódios de violência política no Brasil e no exterior. A avaliação pessoal acabou prevalecendo na decisão final.

Sucessão estadual como prioridade

No plano político, o panorama no Paraná foi determinante. Impedido de disputar a reeleição, Ratinho Jr. enfrenta dificuldades para consolidar um sucessor competitivo.

O quadro se agravou com o avanço do senador Sergio Moro, que lidera pesquisas para o governo estadual e articulou filiação ao PL com apoio do senador e pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro.

Ao permanecer no cargo, o governador mantém controle sobre a máquina estadual e amplia sua capacidade de coordenar diretamente a sucessão — movimento considerado essencial por aliados para preservar a influência do grupo político.

Risco eleitoral e rearranjo estratégico

Levantamentos internos indicavam desempenho limitado na corrida presidencial, com menos de 5% das intenções de voto. Ao mesmo tempo, a polarização entre Lula e nomes da direita reduziu o espaço para uma candidatura alternativa.

A permanência no governo também evita o risco de esvaziamento da base política, que poderia migrar para outros projetos diante do avanço de Moro no estado.

Impactos e próximos movimentos

Com o recuo, Ratinho Jr. deve assumir papel central na articulação da eleição estadual, com foco em transferir capital político ao candidato que vier a apoiar — hoje entre nomes como Guto Silva e Alexandre Curi. 

No plano nacional, a saída do governador reduz as opções do PSD e pressiona o partido a definir rapidamente entre Ronaldo Caiado e Eduardo Leite como alternativa à polarização. O movimento também dialoga com a reorganização das forças políticas no Nordeste, onde a disputa por influência tende a se intensificar no ciclo eleitoral.

Por que importa

A decisão reforça uma tendência crescente na política brasileira: governadores priorizando o controle territorial como ativo estratégico diante de uma eleição presidencial cada vez mais polarizada — em que o espaço para candidaturas fora dos polos se estreita e a força regional volta a ser determinante. 

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