Política europeia

Resultado das eleições municipais na França antecipa disputa presidencial de 2027

Por Julia Fernandes Fraga - Em 23/03/2026 às 5:32 PM

Emmanuel Grégoire

Emmanuel Grégoire foi eleito prefeito de Paris. Foto: Reprodução/Instagram

A França realizou no domingo (22) o segundo turno das eleições municipais, em um processo que mobilizou cerca de 17 milhões de eleitores em aproximadamente 1.580 municípios. A taxa de participação ficou em torno de 57%, praticamente estável em relação ao primeiro turno e abaixo dos níveis registrados em 2014 — um indicativo de desmobilização do eleitorado em um momento-chave do calendário político europeu.

O principal destaque foi a vitória do socialista Emmanuel Grégoire na prefeitura de Paris, com 50,52% dos votos. Ele sucede Anne Hidalgo e garante a continuidade de mais de duas décadas de gestão do Partido Socialista na capital francesa. Na disputa, superou a conservadora Rachida Dati, que ficou com 40,8%, enquanto a candidata da esquerda radical, Sophia Chikirou, registrou 8,2%.

Em discurso após a vitória, Grégoire defendeu a reunificação da cidade após um processo eleitoral marcado por polarização e abstenção elevada. “Esta noite não é a vitória de uma Paris contra outra. Nosso compromisso será unir a cidade”, garantiu.

Capitais mantidas

O resultado em Paris se conecta a um movimento mais amplo observado nas principais cidades francesas. Em Marselha, o atual prefeito Benoît Payan, de esquerda, foi reeleito ao derrotar o candidato de extrema direita Franck Allisio. Já em Lyon, o ecologista Grégory Doucet também assegurou novo mandato, ainda que com margem mais estreita.

O cenário reforça a resiliência de coalizões progressistas nos grandes centros urbanos, mesmo diante do crescimento da extrema direita em outras regiões do país.

Avanço com limites

Apesar de não conquistar capitais estratégicas, o Reagrupamento Nacional (RN), partido ligado à líder de extrema direita Marine Le Pen, ampliou sua presença em cidades médias e fortaleceu sua base local. O maior resultado veio em Nice, onde Eric Ciotti — aliado do RN — venceu a disputa.

Ainda assim, o desempenho nas grandes cidades expôs um limite estrutural da legenda: a dificuldade de avançar em centros urbanos mais diversificados, onde alianças entre partidos tradicionais têm conseguido conter sua expansão.

Centro reage

O campo centrista, ligado ao presidente Emmanuel Macron, apresentou desempenho acima das expectativas em algumas regiões. O ex-primeiro-ministro Édouard Philippe foi reeleito em Le Havre e reforçou sua posição como um dos nomes mais competitivos para a eleição presidencial de 2027.

Vitórias pontuais em cidades como Bordeaux e Annecy também indicam que, apesar da impopularidade do governo nacional, o centro ainda mantém capacidade de articulação local.

Por que importa

As eleições municipais funcionam como um dos principais termômetros políticos da França antes da disputa presidencial de 2027. Mais do que resultados locais, o pleito revela três movimentos estratégicos:

> A esquerda mantém força nos grandes centros, especialmente quando atua de forma fragmentada da ala mais radical;

> A extrema direita segue em expansão, mas ainda enfrenta barreiras relevantes nas capitais;

> O centro busca reorganização, com lideranças emergindo fora do eixo direto de Macron.

Além disso, os prefeitos e conselheiros eleitos passam a integrar o colégio eleitoral responsável pela escolha dos membros do Senado francês — ampliando o impacto institucional do resultado.

Baixa participação

Mesmo com a relevância política do pleito, a participação de cerca de 57% foi considerada baixa. O índice supera o registrado em 2020, afetado pela pandemia, mas permanece abaixo do padrão histórico francês, reforçando sinais de desgaste na mobilização eleitoral.

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