Política Externa
Reunião da OEA aprofunda divisão continental diante da crise política na Venezuela
Por Marlyana Lima - Em 07/01/2026 às 8:15 AM

Durante o encontro, não houve negociações formais, publicação de documentos, nem tomadas de decisão – Fotos: Juan Manuel Herrera/OEA
A reunião extraordinária da OEA realizada na terça-feira (6), em Washington, evidenciou de forma contundente a divisão política no continente americano diante da crise na Venezuela e da recente ação militar dos Estados Unidos que resultou na captura de Nicolás Maduro.
Sem negociações formais ou resoluções oficiais, o encontro do Conselho Permanente da OEA transformou-se em um palco de discursos que refletiram a polarização regional. Países alinhados a Washington, como Argentina, Equador, Paraguai e El Salvador, defenderam a intervenção, enquanto Brasil, México, Chile, Colômbia e Honduras condenaram a operação e reforçaram a defesa da soberania nacional e do direito internacional.
As declarações revelaram leituras opostas sobre a legitimidade da ação americana. Para críticos, os bombardeios na Venezuela e o sequestro do presidente representam um precedente perigoso para a ordem internacional. Para apoiadores, tratam-se de medidas concretas contra o narcoterrorismo e a deterioração institucional venezuelana.

Embaixador Benoni Belli na reunião Especial do Conselho Permanente da OEA
O secretário-geral Albert Ramdin adotou um tom cauteloso, evitando condenações diretas, mas defendendo o multilateralismo, a democracia e uma transição política estável na Venezuela — discurso interpretado como crítica indireta tanto à ação militar quanto ao legado chavista. O interlocutor brasileiro foi o embaixador Benoni Belli, representante Permanente do Brasil junto à Organização dos Estados Americanos (OEA).
O encontro também expôs a crescente disputa geopolítica entre Estados Unidos e China na América Latina. Washington acusou Pequim de buscar influência estratégica sobre as reservas de petróleo venezuelanas, enquanto a diplomacia chinesa rebateu, condenando o uso da força e reiterando o respeito à soberania dos Estados.
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