Carnaval 2026

Sapucaí, poder e cálculo eleitoral: o desfile em homenagem a Lula e os sinais da temporada política

Por Julia Fernandes Fraga - Em 16/02/2026 às 11:36 AM

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O prefeito Eduardo Paes acompanhou Lula na avenida. Foto: Ricardo Stuckert

A Marquês de Sapucaí transformou-se, na primeira noite (15) de desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro, em palco de convergência entre cultura, poder e estratégia política. A Acadêmicos de Niterói abriu a passarela do samba com o enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, homenagem direta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — em um contexto marcado por ano eleitoral, vigilância jurídica e disputa simbólica.

No camarote da Prefeitura do Rio, Lula acompanhou essa e as apresentações de Imperatriz Leopoldinense, Portela e Estação Primeira de Mangueira, ao lado da primeira-dama Janja da Silva, do prefeito Eduardo Paes (PSD) e de ministros de Estado. Após mais de oito horas no local, deixou a Sapucaí por volta das 4h53, acenando a simpatizantes.

Camilochagas

Grupo curtiu a 1ª noite de desfiles do Grupo Especial do Rio, no domingo, 15. Foto: Reprodução/Instagram

Ceará presente

Assistindo aos desfiles também estiveram alguns cearense de destaque como o ministro da Educação, Camilo Santana e a conselheira do TCE-CE, Onélia Leite Santana; Chagas Vieira, secretário da Casa Civil do Ceará, acompanhado da esposa, Roberta Braga; e o ministro do Superior Tribunal de Justiça, Teodoro Silva Santos.

Manifestação presidencial

Em publicação nas redes sociais, o Lula descreveu “[…] a honra e a alegria de acompanhar [os desfiles]”. “O Rio é uma referência mundial de Carnaval e de turismo. A Marquês de Sapucaí mostra ao planeta a força das nossas escolas de samba, a criatividade do nosso povo e a capacidade que o Brasil tem de transformar cultura em desenvolvimento, emprego e renda. Tenho muito orgulho de ver o Brasil brilhando assim para o mundo inteiro”, completou o presidente.

Narrativa política e cautela eleitoral

O enredo em homenagem ao petista percorreu a trajetória do presidente desde 1952, com dramatização conduzida por Paulo Vieira e referências explícitas ao universo do PT, como o coro “Olê, olê, olê, olá, Lula, Lula” e menções ao número eleitoral da legenda. A primeira-dama não desfilou, embora fosse aguardada no último carro alegórico.

Entre as alegorias, uma representação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) surgiu na figura de um palhaço com traje listrado e tornozeleira eletrônica com sinais de violação, em alusão ao episódio que resultou na revogação de sua prisão domiciliar em novembro do ano passado.

No pano de fundo, a tensão política dava seus sinais, já que lideranças de direita vinham apontando o episódio como propaganda eleitoral antecipada e acionaram a Justiça. Sob esse cenário, o Palácio do Planalto restringiu a participação formal de ministros na avenida e vetou uso de verba pública para comparecimento ao evento, enquanto a baixa exposição de imagens governistas nas redes indicou estratégia de contenção em ano eleitoral.

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