Crise no Ártico

União Europeia endurece posição contra tarifas de Trump e intensifica defesa da Groenlândia

Por Julia Fernandes Fraga - Em 19/01/2026 às 4:41 PM

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É a maior ilha habitada do mundo e um território autônomo dinamarquês. Foto: Reprodução/YouTube Lucas e Anna pelo mundo

A União Europeia avalia impor tarifas de € 93 bilhões ou restringir o acesso de empresas americanas ao mercado europeu após Donald Trump ameaçar aplicar tarifas de 10%, com possível aumento para 25%, contra países do bloco que rejeitam a proposta dos Estados Unidos de comprar a Groenlândia – território autônomo da Dinamarca – informou o Financial Times. 

Líderes europeus realizam reunião emergencial nesse domingo (18), em Bruxelas, para alinhar resposta diplomática e militar à crise no Ártico. O instrumento anti-coerção, que permite restringir empresas estrangeiras, também voltou à mesa de negociações devido à ofensiva de Trump, que sustenta que os EUA “precisam da ilha” e sugerir que a Dinamarca “não é capaz de protegê-la”.

Trump declarou ainda que as tarifas seguirão até que “um acordo seja alcançado para a compra completa e total da Groenlândia” — e não descartou o uso da força.

Reação europeia

Na circunstância, países europeus reforçaram a presença militar na Groenlândia a pedido de Copenhague, com apoio declarado de Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Suécia, Finlândia e Holanda.

Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, garantiu que a UE permanecerá “unida e coordenada”, enquanto a vice Kaja Kallas alertou para riscos de divisões que favorecem Rússia e China.

O chanceler dinamarquês Lars Løkke Rasmussen alertou que o futuro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) está em risco. O secretário-geral da organização, Mark Rutte, afirmou ter discutido o tema com Trump e que o assunto avançará em Davos. 

Entre as demais nações, o presidente francês Emmanuel Macron classificou as ameaças como “inaceitáveis”; Ulf Kristersson, primeiro-ministro da Suécia, afirmou que a Europa “não aceitará chantagens”. Alexander Stubb, presidente da Finlândia, advertiu contra uma “espiral descendente perigosa”; e Jonas Gahr Stoere, primeiro-ministro da Noruega, reforçou que “ameaças não têm lugar entre aliados”.

Foram registrados também protestos populares nas capitais Copenhague e Nuuk, com milhares de pessoas repudiando a intenção de anexação do território.

Contexto norte-americano

Alguns parlamentares estadunidenses visitaram recentemente a Groelândia e defenderam apoio ao povo local. Internamente, no entanto, circulam no Congresso dos EUA dois projetos de lei opostos — um para bloquear e outro para autorizar a anexação. Jeff Landry, enviado de Donald Trump à ilha, enfatizou que “o presidente está falando sério”.

Se conseguir o intento, a Groenlândia seria estratégica para o país por sua localização no Ártico e por minerais raros, petróleo e gás. A ilha poderia integrar o sistema antimíssil americano “Domo Dourado”, com sensores e interceptores em terra, mar e espaço.

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