DEMANDA CRESCENTE
Ceará registra o segundo maior valor de locação para o setor logístico do Brasil
Por Marcelo Cabral - Em 20/07/2026 às 7:53 PM
O mercado brasileiro de condomínios logísticos de alto padrão encerrou o segundo trimestre de 2026 no melhor momento de sua história. Levantamento da consultoria imobiliária Colliers aponta que a taxa nacional de vacância caiu para 5%, o menor índice da série histórica, enquanto a devolução de áreas atingiu o nível mais baixo dos últimos sete anos.

Amplo condomínio logístico instalado na Região Medtropolitana de Fortaleza Foto: Divulgação
Nesse cenário de forte demanda, o Ceará consolidou sua posição entre os mercados logísticos mais valorizados do Brasil, registrando o segundo maior preço médio de locação – de R$ 34,60 por metro quadrado ao mês, praticamente empatado com o líder – Distrito Federal (R$ 35,00/m²) -, e acima de São Paulo (R$ 33,70/m²).
O desempenho reforça o protagonismo do Estado na logística nacional e reflete um ambiente de negócios favorecido por investimentos em infraestrutura, localização estratégica e expansão dos corredores de distribuição voltados tanto ao mercado interno quanto ao comércio exterior.
Demanda supera oferta
Mesmo com um crescimento de 8% no estoque nacional de condomínios logísticos nos últimos 12 meses, impulsionado principalmente por novos empreendimentos em São Paulo, a procura por espaços continua superior à oferta disponível. Hoje, cerca de 2 milhões de m² seguem em construção em todo o País, evidenciando a confiança dos investidores na continuidade da expansão do setor.
Outro indicador relevante é a forte redução na devolução de áreas por parte dos locatários, sinalizando que empresas estão mantendo – e, em muitos casos, ampliando – suas operações logísticas. O levantamento ainda mostra que o comércio eletrônico permanece como principal motor da demanda.
As cinco maiores locações registradas no primeiro semestre de 2026 foram realizadas por empresas ligadas ao e-commerce, movimento que reflete a necessidade crescente de centros de distribuição mais próximos dos grandes centros consumidores. Mesmo diante do aquecimento da demanda, o preço médio nacional permaneceu estável em R$ 30,00 por metro quadrado ao mês.
Perspectivas positivas
Para Ricardo Betancourt, CEO da Colliers, os indicadores confirmam a maturidade alcançada pelo segmento. “O primeiro semestre de 2026 reforçou a consistência do mercado de condomínios logísticos no Brasil. A vacância atingiu seu menor nível histórico, em um movimento que tem estimulado o desenvolvimento de novos empreendimentos e a ampliação do estoque no setor“, afirma.
Segundo o executivo, a tendência é que o ritmo de crescimento permaneça ao longo dos próximos meses, seguindo a expansão da demanda na área de locações de grande porte. “Para o segundo semestre, nossa expectativa é de continuidade desse cenário, com absorção positiva e novos lançamentos ganhando espaço no mercado”, completa.
A valorização do metro quadrado cearense reforça uma tendência observada nos últimos anos: o Estado vem ampliando sua competitividade como plataforma logística do Nordeste. Impulsionado por ativos estratégicos como o Complexo do Pecém, expansão da malha rodoviária e crescente demanda por operações de armazenagem e distribuição, o Ceará consolida um ambiente favorável para novos investimentos em centros logísticos, indústria e comércio eletrônico.
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