Universo profundo

Cientistas identificam “galáxia fantasma” dominada por matéria escura a 300 milhões de anos-luz da Terra

Por Suzete Nocrato - Em 07/03/2026 às 12:07 AM

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Campo galáctico da galáxia CDG-2, de baixo brilho superficial. Foto: Reprodução/NASA

Uma descoberta recente da astronomia moderna chama a atenção da comunidade científica internacional: pesquisadores identificaram uma rara “galáxia fantasma”, denominada CDG-2, praticamente invisível no universo profundo.

Diferentemente das galáxias convencionais, que apresentam brilho intenso devido à presença de bilhões de estrelas, essa estrutura cósmica possui pouquíssimos astros luminosos. A história foi divulgada pela Nasa em fevereiro e destaca um dos achados mais curiosos dos estudos recentes sobre matéria escura e formação de galáxias.

O estudo científico foi liderado pelo pesquisador David Li e contou com a colaboração de especialistas de universidades do Canadá, dos Estados Unidos, da Europa e de Israel. Em junho de 2025, os cientistas relataram a descoberta de quatro pequenas “bolinhas brilhantes” de estrelas — conhecidas na astronomia como aglomerados globulares — que pareciam estar “andando juntas” no escuro do espaço. A análise revelou que esses grupos estelares estavam gravitacionalmente ligados a uma galáxia composta majoritariamente por matéria escura, elemento fundamental para compreender a estrutura do universo.

Na cosmologia, a matéria escura funciona como uma espécie de “cola invisível”. Embora não brilhe e não reflita luz, ela exerce força gravitacional suficiente para manter estruturas cósmicas unidas. No caso da CDG-2, essa característica se manifesta de forma extrema: cerca de 99% de sua composição é invisível, tornando a galáxia praticamente imperceptível para observação direta.

Aglomerado de Perseu

A CDG-2 foi a primeira galáxia identificada inicialmente apenas por meio de seus aglomerados de estrelas, sem que o restante de sua estrutura tivesse sido detectado anteriormente. O objeto está localizado no Aglomerado de Perseu, uma região do universo situada a cerca de 300 milhões de anos-luz da Terra, conhecida por concentrar grandes estruturas cósmicas.

Outro aspecto que torna essa galáxia extraordinária é sua composição estelar extremamente reduzida. Enquanto a Via Láctea abriga mais de 150 aglomerados globulares, a CDG-2 mantém apenas quatro, permanecendo unida graças à grande quantidade de matéria escura, que não emite, reflete ou absorve luz.

A descoberta reforça a importância da astrofísica contemporânea na investigação da matéria escura, um dos maiores mistérios da ciência moderna, e amplia o entendimento sobre como galáxias raras e quase invisíveis podem existir e permanecer estáveis no universo.

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