INFRAESTRUTURA EFICIENTE E INTEGRADA
CNI destaca PNL 2050 como marco para reduzir custos e ampliar competitividade
Por Marcelo Cabral - Em 13/08/2026 às 1:33 PM
A construção de uma infraestrutura de transportes mais eficiente e integrada ganhou um novo horizonte com o lançamento do Plano Nacional de Logística (PNL) 2050, realizado nesta quarta-feira (12), em Brasília, pelo Ministério dos Transportes (MT). A iniciativa contou com a participação da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que contribuiu para a formulação do documento em parceria com as federações industriais das cinco regiões do País.

CNI marcou presença durante o lançamento do PNL 2050, em Brasília Foto: Michel Corvello/MT
O plano define 31 eixos prioritários, sendo 12 rodoviários, oito ferroviários, quatro aquaviários e sete intermodais, estruturando uma visão integrada para o sistema logístico brasileiro nas próximas décadas. Com foco no planejamento de longo prazo, o PNL 2050 estabelece diretrizes para orientar investimentos estratégicos em infraestrutura, ampliar a intermodalidade, melhorar o escoamento de cargas e promover avanços na mobilidade de pessoas.
A participação da indústria ocorreu por meio de uma série de encontros regionais promovidos pelo Ministério dos Transportes, com apoio da CNI, que mobilizaram cerca de 800 representantes do setor produtivo, empresários e agentes envolvidos na cadeia logística nacional.
Desafios estruturais históricos
Durante o primeiro painel do evento, o especialista em Infraestrutura da CNI, Ramon Goulart Cunha, destacou os desafios históricos enfrentados pelo Brasil no setor e a necessidade de ampliar investimentos para reduzir gargalos que impactam a competitividade nacional. “Não à toa, o Brasil gasta 15,5% do PIB com custos logísticos, uma parcela significativamente superior à observada em países como Estados Unidos e México e mais que o dobro da registrada na Alemanha e Reino Unido”, afirmou.
Segundo o especialista, o País tem investido, nas últimas décadas, entre 0,5% e 0,7% do PIB em transporte e logística, enquanto a necessidade estimada seria de aproximadamente 2% a 2,2% do PIB. Além do volume insuficiente de recursos, Cunha ressaltou que a eficiência na aplicação dos investimentos também representa um desafio. Como exemplo, citou projetos de infraestrutura de longa duração que enfrentaram dificuldades de planejamento e execução.
Planejamento reduziria o Custo Brasil
Para a CNI, o novo plano representa uma oportunidade de aprimorar a definição de prioridades e garantir maior racionalidade na aplicação dos recursos públicos e privados destinados à infraestrutura. A entidade considera que a melhoria da logística nacional é fundamental para reduzir o chamado Custo Brasil, conjunto de fatores que elevam despesas de produção, transporte e comercialização das empresas brasileiras.
O lançamento do PNL 2050 reuniu autoridades federais, representantes do setor produtivo e integrantes de empresas ligadas à infraestrutura, transportes, agronegócio e comércio exterior, incluindo os ministros George Santoro (Transportes), Tomé França (Portos e Aeroportos), e o presidente da Infra S.A., Jorge Bastos.
Ao estabelecer uma estratégia de planejamento para as próximas décadas, o documento busca criar condições para uma matriz logística mais equilibrada, com maior integração entre modais e capacidade de responder às demandas de crescimento econômico. Para a indústria, a consolidação dessa agenda será decisiva para ampliar a competitividade brasileira, fortalecer cadeias produtivas e aproximar o país dos padrões internacionais de eficiência logística.
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