PARTICIPAÇÃO NO AGRONEGÓCIO
Região Nordeste ultrapassará 1 milhão de toneladas de algodão, diz estudo do BNB
Por Marcelo Cabral - Em 06/08/2026 às 6:21 PM
O Nordeste caminha para um recorde histórico na cotonicultura brasileira. Pela primeira vez, a produção regional de algodão em pluma deverá ultrapassar a marca de 1 milhão de toneladas na safra 2025/2026, consolidando o avanço da atividade e ampliando a participação da região no agronegócio nacional.

Cotonicultura nordestina: produtividade acima da média nacional Foto: Divulgação/BNB
A estimativa consta em estudo divulgado pelo Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), do Banco do Nordeste (BNB), que projeta uma produção superior em 4% à registrada no ciclo anterior. O desempenho regional ganha ainda mais relevância por ocorrer em um cenário de desaceleração da produção brasileira, estimada em 3,98 milhões de toneladas, volume 2,5% inferior ao da safra passada.
O crescimento é impulsionado, sobretudo, pela Bahia e pelo Piauí, estados que deverão ocupar a segunda e a terceira colocação entre os maiores produtores de algodão do Brasil. A Bahia deverá alcançar uma produção de 862,2 mil toneladas, enquanto o Piauí registra um dos maiores avanços do setor, com estimativa de 87,6 mil toneladas, crescimento de 38,4% em relação ao ciclo anterior.
Produtividade superior
Além do aumento do volume produzido, o Nordeste também se destaca pelos ganhos de produtividade. Segundo o levantamento, a região deverá atingir média de 2.027 quilos por hectare, superando a produtividade média nacional, projetada em 1.969 quilos por hectare, resultado que reflete a evolução tecnológica das lavouras e o fortalecimento da cadeia produtiva.
Para o economista do Etene, Jackson Dantas Coêlho, as perspectivas para os próximos ciclos são positivas. “As entidades envolvidas vislumbram boas perspectivas de estabilidade ou de crescimento na cadeia da cotonicultura para 2026/27. O consumo interno pode aumentar 2,1%, impulsionado pela melhora do nível de emprego, pela expectativa de crescimento do PIB e pelo controle da inflação, apesar do patamar ainda elevado dos juros e das incertezas da geopolítica internacional. Com a segunda maior produção da história, o País mantém sua liderança mundial nas exportações”, avalia.
Vendas externas em alta
O desempenho da cotonicultura nordestina também se reflete no mercado internacional. Entre janeiro e junho deste ano, as exportações regionais de algodão cresceram 11,5% em valor e 17,6% em volume, na comparação com o mesmo período de 2025.
A China retomou a posição de principal destino da fibra produzida no Nordeste, concentrando 24% das exportações regionais. Bangladesh, Paquistão, Vietnã e Turquia completam a lista dos maiores compradores, evidenciando a forte demanda asiática pelo produto brasileiro.
Bahia, Maranhão e Piauí responderam pela maior parte das vendas externas da região no primeiro semestre deste ano. A Bahia ampliou ainda mais sua liderança, elevando sua participação de 85% para 88% das exportações nordestinas.
Cenário favorável
O estudo do Etene destaca que o Brasil permanece como maior exportador e terceiro maior produtor mundial de algodão, posição sustentada pela competitividade do setor e pela crescente demanda internacional. Embora fatores como oscilações no preço do petróleo, tensões geopolíticas e condições climáticas continuem influenciando o mercado global, a expectativa é de manutenção de um ambiente favorável para a cotonicultura brasileira.
Com produção recorde, produtividade acima da média nacional e expansão das exportações, o Nordeste reforça sua posição estratégica na cadeia do algodão. Além disso, consolida a região como um dos principais motores do crescimento do agronegócio brasileiro.
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