EXPORTAÇÕES E INOVAÇÃO

Ricardo Cavalcante busca ampliar a inserção do Ceará no mercado europeu

Por Marcelo Cabral - Em 16/07/2026 às 8:23 PM

Em um movimento estratégico para ampliar a inserção internacional de produtos cearenses, o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), Ricardo Cavalcante, encerra a semana de agenda institucional em Portugal e na Espanha. O objetivo é a retomada e ampliação das exportações de pescados do Ceará para a União Europeia, conectando empresas, instituições públicas e centros de pesquisa ligados à economia do mar, à inovação tecnológica e à sustentabilidade.

Ricardo Cavalcante e o vice-almirante António Coelho, diretor-geral da DGRM             Fotos: Divulgação

A iniciativa ocorre em um momento de profundas transformações no comércio internacional, marcado pelo avanço das negociações entre Mercosul e União Europeia – um dos maiores blocos comerciais do mundo, com mais de 700 milhões de consumidores. E a FIEC busca posicionar o Ceará para aproveitar novas oportunidades comerciais, especialmente em uma cadeia produtiva na qual o Estado possui tradição, capacidade industrial e vocação exportadora.

A programação envolveu encontros com representantes de empresas e instituições consideradas referências no setor pesqueiro e marítimo europeu. Ricardo Cavalcante participou da agenda acompanhado de Miguel Marques, CEO da Skipper & Wool. Dentre os compromissos, esteve na Direção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos (DGRM), órgão responsável pela execução das políticas públicas relacionadas à pesca, aquicultura, recursos marinhos e segurança marítima, onde foi recebido pelo diretor-geral da DGRM, vice-almirante António Coelho Cândido.

Em Lisboa, o dirigente visitou o Grupo ETSA, empresa portuguesa especializada na transformação de subprodutos do pescado e resíduos de origem animal em novos insumos, utilizando princípios da economia circular. Durante o encontro com o administrador executivo da companhia, André Almeida, foram apresentadas soluções voltadas ao aproveitamento integral da matéria-prima, redução de desperdícios e desenvolvimento de processos industriais sustentáveis.

Inovação e tecnologia

Ricardo Cavalcante visitou o Instituto Português do Mar e da Atmosfera durante a agenda na Europa

A agenda portuguesa incluiu, ainda, visita à Docapesca – Portos e Lotas, responsável pela gestão da primeira venda de pescado em Portugal Continental e pelo apoio à cadeia produtiva pesqueira. E também contemplou o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), referência em pesquisa oceanográfica, meteorológica e monitoramento dos recursos marinhos. Ricardo Cavalcante esteve com o presidente do instituto, professor José Guerreiro, conhecendo tecnologias aplicadas ao acompanhamento ambiental e às atividades marítimas.

Na cidade do Porto, a missão avançou para o campo da inovação tecnológica, com visita ao INESCTEC.OCEAN, unidade de pesquisa dedicada ao desenvolvimento de soluções para a economia azul. O centro desenvolve tecnologias relacionadas à robótica marinha, monitoramento ambiental e exploração sustentável dos recursos oceânicos, áreas consideradas estratégicas para o futuro da indústria marítima mundial.

Em Vigo, na Galiza, a comitiva conheceu um dos mais importantes polos pesqueiros da Europa. O Porto Pesqueiro de Vigo reúne 357 empresas do setor, movimenta mais de 3 bilhões de euros por ano e gera aproximadamente seis mil empregos. O complexo é reconhecido como o maior ponto de desembarque de peixe fresco da Europa, além de concentrar uma robusta infraestrutura portuária, estaleiros e empresas de processamento.

A programação em território europeu incluiu, ainda, uma visita à Gelpeixe, empresa portuguesa especializada em processamento e congelamento de pescados. Durante o encontro com o administrador Manuel Tarré, Ricardo Cavalcante conheceu a operação industrial da companhia, que atua com peixes, mariscos, moluscos e outros produtos congelados.

A aproximação com empresas europeias reforça a estratégia da FIEC de estimular novas conexões comerciais e tecnológicas para a indústria cearense. Mais do que uma agenda institucional, a missão evidencia uma visão de longo prazo: transformar a economia do mar em um dos pilares de competitividade do Ceará, integrando produção, inovação, sustentabilidade e acesso a relevantes mercados globais.

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