Alto luxo

Crise? No mercado de imóveis não

Por Ana Cristina Cavalcante - Em 5 de novembro de 2021

Fortaleza tem sexta maior alta no preço do metro quadrado

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Crédito: Imóvel no Meireles/Via Real

Quem acha que a crise afeta todos os setores da economia vai se surpreender com o movimento do mercado imobiliário brasileiro. Em outubro sobre setembro, o preço do metro quadrado teve alta de 0,43%. No acumulado do ano a expansão é ainda maior: 4,23%. Fortaleza é a sexta capital com maior alta no metro quadrado do país. Aumentou 0,84% no mês passado. À sua frente, aparecem em ordem decrescente Vitória (1,46%), Curitiba (1,31%), Goiânia (1,15%), Florianópolis (1,12%) e Brasília (0,86%).  A lista é medida pelo índice FipeZap e também trouxe outras informações importantes. Por exemplo, a maioria das capitais monitoradas tiveram alta no preço médio de venda dos imóveis. Menos Porto Alegre, que teve ligeiríssima queda de 0,07%. No acumulado em 12 meses, o índice aponta elevação de 5,18% e perde para uma estimativa de inflação de 10,28%.

Preferência de funcionários e sertanejos…

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Crédito: Casa do cantor sertanejo Rodolffo/Redes Sociais

O preço médio do metro quadrado em Fortaleza é de R$ 6.208,00. O metro quadrado mais caro em capitais é o de São Paulo, onde está cotado a R$ 9.640. Em seguida aparece o Rio de Janeiro, com R$ 9.616, e Brasília onde cada quadrado de 1m x 1m de moradia custa R$ 8.617. Na outra ponta, os valores mais baixos estão em Campo Grande, com R$ 4.486,00, na linda João Pessoa em que o valor está em R$ 4.766 e, por último mas por pouco tempo, Goiânia com R$ 4.990. É interessante notar em relação à capital goiana que existe um claro movimento de migração de, pelo menos, dois grupos de pessoas escolhendo esta cidade para viver: os funcionários públicos que preferem a tranquilidade e qualidade de vida de Goiânia, mesmo tendo que pegar estrada para Brasília. E os artistas sertanejos que estão, cada vez mais, optando pelos belos condomínios de chácaras das cercanias do polo mais central do estado.

Que tal morar de frente pro mar da Guanabara?

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Crédito: Imóvel na Zona Sul do Rio de Jnaeiro/Divulgação

Imóveis de luxo nunca venderam tanto. Mas, vejam bem,  não é qualquer mansãozinha. São as de altíssimo luxo. A desvalorização do real é a causa principal deste efeito mercadológico. Os bilionários brasileiros estão comprando. Os estrangeiros também. E muito. O preço de saída é de, nada mais nada menos, que R$ 30 milhões. E já que é para morar bem, que seja de frente para o mar. O Rio de Janeiro concentra as maiores listas de compradores a serem atendidos pelos real state. Também conhecidos como corretores de alto luxo. “Nunca vendemos tanto quanto na pandemia. Realizamos nossas vendas mais altas, em valores e em volume. Só nos seis primeiros meses de 2021, tivemos mais vendas que nos últimos cinco anos”, conta Arnaud Bughon, CEO da Latin Exclusive.  Mais um elemento para esta análise: os lançamentos de imóveis de luxo tiveram aumento de 136% no acumulado deste ano. Em plena pandemia e com grande parte da economia paralisada por lockdown ou afetada por seus efeitos.

Oi?! Como assim?

Crédito: Vista da varanda de apartamento de frente para a Torre Eiffel/Divulgação

Como explicar que, no ano da pandemia que parou o mundo, os imóveis de luxo no Brasil tenham este excepcional desempenho? Muito simples, meu caro Watson! A questão toda está resumida em uma única expressão: a desvalorização do real. A moeda brasileira deslizou ladeira abaixo com as lacunas de uma política econômica que não existe. Porque  o governo federal e sua equipe econômica olham para lados diametralmente opostos. Enquanto a Covid-19 se espalha pelo mundo e mata milhões de pessoas – só no Brasil já são mais de 608 mil vidas perdidas – o real  sofre  fortíssimo processo de depreciação. Foi a moeda mais desvalorizada do mundo, em 2020. E a tendência permanece. No primeiro semestre de 2021, é a quarta com a maior perda de valor no mundo. Não precisa ser nenhuma Velma Dinkley para desvendar um enigma tão básico. Bastava o Sherlock Holmes, mesmo. A taxa de câmbio favoreceu muito, principalmente, os compradores de outros países. Este público viu, no Brasil, a oportunidade de um bom investimento a preço de banana. Descontada  a inflação, claro! E ainda com um atrativo que quase nenhum outro lugar do mundo tem: a paisagem. Responda rápido: entre a Praia do Leblon com aquela areia branquinha e o mar azul, visto da varanda de um apartamento de 300 metros quadrados, e um quarto e sala em frente à Torre Eiffel, pelo mesmo preço, o que você escolheria?

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