Economia em círculos?

Por Ana Cristina Cavalcante - Em 25 de novembro de 2021

Qual é a economia do século 21?

 

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Representantes das cinco cidades do Nordeste que integram a Rede lobal de Cidades Criativas da Unesco. Foto: Beatriz Bley

Cada época tem a sua cartilha, na Economia. Desde antes do liberalismo clássico de Adam Smith ao pós-keynesianismo, Escola de Chicago, austríacos e que tais. Tudo passando pelo Welfare State, da social-democracia, e o neoliberalismo. Mas para o século 21, tempos de mudanças drásticas do clima, necessidade de consumo consciente, preservação do meio ambiente, a cartilha precisa ser outra. Neste cenário, surgem com força dois conceitos: a economia criativa e a economia circular. A primeira reúne segmentos diversos tais como música, design, artes, tecnologia e inovação, artes midiáticas, audiovisual, artesanato e tantas outras vertentes. A segunda é vital! Trata daquilo que é mais fundamental na nossa era: o quê fazer com os resíduos gerados pela nossa própria existência. Parece filosofia. E até é. A humanidade se reinventando para não destruir sua casa. Seu planeta. Economia circular pode ser sintetizada no reaproveitamento de tudo. Sim! Tudo. Transformar para não poluir. Não jogar fora porque não existe o “fora”. Garrafas pet que viram material para paredes de casas, pneus para cultivar plantas, vidros que pavimentam o chão. Roupas reformadas, com novas formas e cores… Economia circular é isso. Um círculo virtuoso. “A economia criativa e a economia circular são a economia do século 21. E estão repletas de pequenos negócios”, define o superintendente do Sebrae Ceará, Joaquim Cartaxo. Sua fala foi uma das muitas provocações do debate que acontece durante todo o dia de hoje, e amanhã, no Encontro de Cidades Criativas do Nordeste.

 

Cooperar para progredir

 

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Élcio Batista, durante abertura do Encontro das Cidades Criativas do Nordeste/Foto: Beatriz Bley

 

O vice-prefeito de Fortaleza, Élcio Batista, fez a abertura do Encontro, na manhã desta quinta-feira. Em sua fala, ele destacou a cooperação, o compartilhamento de conhecimento e um plano de trabalho entre todas as Cidades Criativas chanceladas pela Unesco no Nordeste. Além de Fortaleza, cuja chancela foi conquistada em Design, dois anos atrás, estiveram presentes todas as outras cidades nordestinas chanceladas: João Pessoa (Artesanato), Campina Grande (Mídias), Salvador e Recife, com validação na Música. Em Design, Fortaleza está ao lado de Brasília e Curitiba como Cidades Criativas da Rede Mundial da Unesco. Para o vice-prefeito, a rede precisa trabalhar em conjunto e desenvolver parcerias para que uma potencialize a outra. No caso da nossa capital, a chancela está abrigada por decreto do prefeito José Sarto, na vice-prefeitura. “Temos compromissos a cumprir e a responsabilidade de difundir a chancela para que os fortalezenses se apropriem dessa conquista. E, também, para que a economia criativa passe a ser um dos motores do desenvolvimento socioeconômico da cidade”, avalia.

 

 

Compromissos com a Unesco

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Alberto Gadanha/Foto: Beatriz Bley

Ao assumir a validação de Cidade Criativa do Design da Unesco, braço cultural da Organização das Nações Unidas (ONU),  Fortaleza se responsabilizou por cumprir cinco compromissos. O primeiro deles é a criação do Distrito do Design, que reunirá um conjunto de atividades criativas. O segundo, a realização da Jornada de Design Transversal Interamericana, que deve acontecer em 2022. “O objetivo é aproximar as linguagens e fortalecer a economia criativa”, afirma Alberto Gadanha, focus point da Fortaleza Criativa. O terceiro compromisso é criar um programa de qualificação para a juventude, em parceria com as setoriais do Município. A ideia é levar a chancela a todas as escolas públicas de Fortaleza, assim como à Rede Cuca. Quarto compromisso: estabelecer um programa de residência entre cidades do Nordeste, do Brasil e do mundo. E, por fim, a consolidação do Distrito Criativo de Iracema, que já está em curso por lei municipal. Esse equipamento tem como missão desencadear negócios e fomentar a economia criativa, num dos símbolos da nossa cidade.

 

João Pessoa, a cidade do Artesanato? Não só

O secretário-executivo de Desenvolvimento Econômico de João Pessoa, João Batista, adiantou para a coluna que a cidade já está preparando a campanha para mais duas chancelas da Unesco, no circuito da economia criativa. “Queremos a certificação em Moda e Mídia Digitais”, cravou. João Pessoa é Cidade Criativa em Artesanato desde 2017. De lá para cá, o que já era uma das principais características da capital paraibana passou por uma redenção. Hoje, está na tutela da Secretaria do Desenvolvimento Econômico de João Pessoa e faz parte da cadeia produtiva da economia criativa. “A chancela amplia a visibilidade de uma das marcas da nossa cidade, que é o artesanato. Agrega valor ainda maior aos produtos feitos pelos artistas locais. Mas não queremos ficar só nessa chancela. Vamos buscar ser Cidade Criativa da Moda e das Mídias”, afirmou o secretário.

 

Recife: a música como patrimônio

Para Dado Sodi, representante de Recife no Encontro das Cidades Criativas do Nordeste, a chancela de Cidade Criativa da Música consolidou o patamar que a capital pernambucana sempre teve. Historicamente reconhecida como celeiro de talentos musicais, terra do frevo e de tantos artistas, como não ter a chancela? “Quando estávamos na campanha de Cidade da Música, nos perguntavam: mas já não somos?  Eu respondia que sim, somos, mas que a chancela da Unesco é a validação disso. Uma validação institucional”, conta Dado. “Estar em Fortaleza é uma grande oportunidade de troca. As duas cidades têm muito em comum. Temos riquezas e desafios que podemos superar juntos. Um encontro como esse, reunindo todas as cidades criativas do Nordeste, é  espaço de trocas que beneficiam a todos”, acrescentou.

 

Salvador: chancela profissionalizada

O diretor de Nova Economia, da Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Salvador, Leandro Lima, destacou que a capital baiana, chancelada em Música, já está em estágio mais avançado de implementação dos compromissos assumidos coma Unesco. “Nós já criamos o escritório para a chancela e para incentivar a economia criativa. Salvador é um grande centro cultural. Precisamos dar ainda mais potência a essa característica, com a profissionalização dos processos”, disse. O encontro segue até amanhã. Ao final, as cinco cidades participantes, junto com o aval do Sebrae Ceará, vão elaborar um documento com os encaminhamentos para a construção de um plano de trabalho e um circuito de fóruns como este primeiro encontro realizado por Fortaleza.

 

Campina Grande: série da Amazon

 

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Rosália Lucas/Foto: Beatriz Bley

Campina Grande está sediando as filmagens de uma série da Amazon. A empresa, que representa uma dos maiores streamings do mundo, levou a produção para a cidade paraibana. “Mas o talento é nosso. Todos os profissionais de artes dramáticas são locais. São 100 diárias de gravação”, contou a secretária do Desenvolvimento Econômico de Campina Grande, Rosália Lucas. A cidade é um hub de tecnologia, destaca a secretária. Também é um centro de conhecimento. “E a terra de Juliette”, brincou referindo-se a ex-BBB. “Precisamos manter este canal de comunicação entre as cidades para otimizar as vocações de cada uma e fortalecer o Nordeste”, arrematou.

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