Nova semana, novo humor?

Por Ana Cristina Cavalcante - Em 8 de novembro de 2021

Ainda há juízes em Roma…

 

Crédito: Divulgação STF

Crédito: Divulgação/STF

 

Não bastassem as duas últimas semanas fora de ordem, esta nem esperou a segunda-feira chegar. Começou ainda na sexta passada.

A criação de um Orçamento do Relator pela Câmara dos Deputados, que logo passou a ser chamado de Orçamento Secreto, foi revogada pela ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal.

A ministra foi clara e direta: nenhum orçamento público pode ser secreto.

Todas as ações do Poder Púbico, em qualquer esfera, precisa ter transparência.

Casas Legislativas e o Palácio do Planalto têm a obrigação de prestar contas à sociedade.

Weber disse algo na linha do que muitos de nós questionávamos. “Como assim, Orçamento Secreto?”.

As “circunstâncias” caíram como uma luva para que tal instrumento fosse utilizado. Por circunstâncias, entendam-se dois eventos;

1) a pandemia, que obrigou governos mundo a foram a fazerem transferências de renda às populações que perderam empregos e condições de sobrevivência em função do isolamento social.

2) o embarque do Centrão no apoio às pautas do Governo Federal.

Não de hoje, o grupo de partidos une-se formando maioria na Câmara para articular vantagens com o governo central de plantão.

Com a decisão monocrática de Rosa Weber, sobre a qual já existe uma enorme pressão política, os recursos que seriam destinados às emendas parlamentares sem a necessidade de especificações não vão mais acontecer. Por enquanto.

 

É a política, estúpido!

A releitura da frase lendária do  publicitário de Bill Clinton, James Carville,  ao dar a deixa para sua vitória sobre George Bush, pode ser útil mais uma vez para a compreensão da relação entre política e economia.

As três principais pautas do País são pivô de batalhas épicas no Congresso e exercem enorme impacto sobre a economia.

A PEC dos Precatórios, a licença ao governo para furar o teto de gastos  e o Orçamento Secreto.

Tudo isso trata de dinheiro.

E público.

Aquele que sai dos nossos bolsos e vai para a arrecadação da União sob a  forma de impostos, taxas e que tais.

No primeiro caso: precatórios de mais de R$ 90 bilhões têm, segundo a proposta já aprovada no primeiro turno no Câmara, um novo modelo de pagamento: os de menor valor seriam pagos em suaves prestações.

Os de maior, passariam pelo processo de rolagem da dívida: algo como “devo, não nego.

Mas quem vai pagar não faço a mínima ideia”.

O furo do teto de gastos, criado por Michel Temer, seria necessário justamente para pagar os precatórios que estão divididos em suaves prestações , transferir os de maior valor para outros períodos.

E, com isso, abrir caminho para que o Auxílio Brasil de R$ 400,00 caiba no Orçamento da União.

Este auxílio é, na verdade, uma transferência de renda com data para terminar:  12 meses após aprovação da PEC.

Ou seja, depois das eleições! Por fim, o Orçamento do Relator/Secreto seria distribuído em emendas sem necessidade de distinguir para onde vai o dinheiro.

Para parlamentares em vésperas de eleição. A decisão de Rosa Weber jogou um balde de água gelada no planejamento eleitoral de muitos deputados e, quem sabe, do próprio presidente.

 

E os meus investimentos?

 

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Crédito: Divulgação

A explicação sobre o cenário político é uma informação determinante e necessária para quem tem investimentos ou está pensando em fazê-los. Seja na Faria Lima.

Seja na economia real – aquele espaço que produz a riqueza das nações que Adam Smith tanto sonhou.

A mesma que Karl Marx quis ver distribuída e John Maynard Keynes, desejava que fosse induzida pelo Estado.

Pensamento econômico à parte, o importante agora é ter cautela. Uma boa dica que os analistas e especialistas poderiam reforçar neste momento é: não façam nada! Não vendam suas ações.

Mantenham sua renda fixa. Deixem para comprar criptomoedas quando elas, de fato, tiverem lastro.

Porém um apelo, digamos, patriota do bem: pensem no Brasil antes de trocar seus reais por dólares.

Embora esta não seja uma má ideia, sob a perspectiva da microeconomia.

O hedge (proteção) no dólar é seguro, garante a valorização do seu dinheiro.

Mas faz mal às reservas cambiais brasileiras que estão derretendo com a moeda americana no patamar de R$ 5,55 no momento em que esta coluna estava sendo redigida.

E com viés de alta por tempo indeterminado.

 

Wall Street ou Main Street…

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A saída para qualquer economia estagnada como está a do Brasil é o investimento.

De qualquer espécie.

Público ou privado.

Da Wall Street (mercado financeiro) ou da Main Street (setor produtivo).

O importante é fazer a engrenagem começar a se movimentar de novo. O grande gargalo que nossa economia precisa superar, para sair da paralisia em que está, pode ser resumido em uma única palavra: credibilidade.

Toda essa movimentação em Brasília, para retirar limites e abrir o cofre sem parcimônia, está levando o resto do mundo a olhar para o Brasil com desconfiança.

Investidores perguntam-se: o Brasil terá fôlego para pagar suas contas? Como investir num país que vive uma instabilidade política há quase três anos? E como serão sanados os efeitos da pandemia, com um governante negacionista? E para o meio ambiente? Apenas os compromissos pífios e vazios apresentados na COP-26 recém-realizada? A conferir, mas sem muita expectativa.

O ano que está chegando começará com inflação e juros de dois dígitos, desemprego, desinvestimento.

Mesmo que você veja no noticiário econômico do horário nobre que o PIB subiu.

PIB significa concentração. Não não é crescimento. Trabalho e renda, sim.

 

Onde aprender a investir?

 

Crédito: Divulgação

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O melhor caminho para a decisão de investimento é o conhecimento sobre o mercado.

A educação financeira é tema muito forte na comunicação deste século 21.

As plataformas digitais estão repletas de mensagens sobre o quê, como e quando investir.

Mas ainda não está nos currículos escolares.

A educação formal poderia ser um espaço para este conhecimento tão necessário para pessoas, instituições e mercados.

Principalmente, para a própria globalização.

Afinal, o que acontece no  Brasil não segue a regra de Vegas*.

Repercute pelo mundo.

O mesmo vale para qualquer nação.

É via de mão dupla.

Saber lidar com o dinheiro desde cedo.

Aprender a negociar, a poupar para comprar algo mais caro e ter noção de que é essencial prover o futuro são lições que deveriam ser aprendidas na escola.

E desde de muito cedo.

*A Regra de Vegas se refere a uma expressão muito utilizada não só por quem já visitou os cassinos e hotéis de Las Vegas (Estados Unidos): “O que acontece em Vegas, fica em… Vegas”.

 

 

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