Adaptação

Novo normal para 2022

Por Ana Cristina Cavalcante - Em 29 de dezembro de 2021

Estratégias pós-pandemia: a adaptação!

Cadeia global de suprimentos e a nova gestão em logística/Foto: Divulgação

Às vésperas de 2022 e depois de dois anos de mudanças radicais nas rotinas do mercado produtivo, um segmento ganha ainda mais relevância na economia real. A logística! E, como consequência, as organizações saíram em busca de formas mais eficientes de gerir suas cadeias de suprimentos. Novas exigências por causa da pandemia acabaram demandando inovação e, principalmente, novas habilidades das pessoas que atuam aí.  O mercado de logística é uma atividade-chave na operação das cadeias de suprimentos. E cresce em proporção direta ao movimento econômico. Seja para alcançar expansões e atendê-las. Seja para viabilizar negócios em momentos de crise como o que passamos. “Vimos isso acontecer em dois momentos. No primeiro, com crescimento atrelado à economia no Estado, aos investimentos direcionados à melhoria da infraestrutura logística, como portos, aeroportos, rodovias, ferrovias, entre os quais o Porto de Pecém. E, mais recentemente, com o  comércio eletrônico muito intensificado com a pandemia da Covid-19”, afirma Fernando Viana, professor adjunto do Programa de Pós-Graduação em Administração de Empresas, da Universidade de Fortaleza (Unifor).

 

Comércio eletrônico mode on…

 

Frederico Trajano, CEO do Magazine Luiza

Todos nós assistimos do nosso sofá o comércio eletrônico saltar durante a pandemia. Quem já fazia fez ainda mais. Quem não, passou a fazer. No primeiro semestre deste ano, o e-commerce no Brasil chegou à marca de R﹩ 53,4 bilhões em faturamento, atingindo crescimento de 31% em relação ao mesmo período em 2020. Os dados são da Ebit Nielsen, plataforma especializada em pesquisas sobre o mercado virtual do país. Um exemplo brasileiro é o Magazine Luiza. O CEO Frederico Trajano afirmou que a rede está preparada para puxar a digitalização do varejo. “Já digitalizamos o Magazine Luiza. Agora queremos digitalizar todo o varejo brasileiro”, aposta. No mundo, a Amazon, gigante fundada por Jeff Bezos que agora explora o espaço, apresentou  lucro de US$ 7,8 mil milhões no segundo trimestre do ano. Em comparação com igual período do ano passado, a empresa registou aumento de 48%. O quê, convenhamos, dá ao megaempresário certa tranquilidade para seu projeto de turismo espacial.

 

Supply Chain e gestão de risco?

Fernando Viana CrÉdito Da Foto (ares Soares)

Professor Fernando Viana/Foto: Iana Soares

O professor  Fernando Viana confirma que o crescimento do comércio eletrônico tem atraído empresas que atuam no setor a implantar centros de distribuição no Ceará, como as próprias Amazon e Magazine Luiza. Da vinda destas empresas, surgem demandas como instalações e profissionais especializados na área de logística e supply chain. Ou cadeia de suprimento, “é o conjunto de empresas/instituições que estão envolvidas em operações de compra e venda. Essa cadeia precisa ser gerenciada, daí o conceito de Supply Chain Management (gestão da cadeia de suprimento)”, complementa o professor.

 

Terceirização é caminho sem volta.

Os observadores do mercado já identificaram a tendência crescente de as empresas terceirizarem atividades e processos não relacionados ao seu core business. Em outras palavras:  a verticalização deixou de ser considerada como uma estratégia interessante. “Embora existam processos verticais bem sucedidos nas organizações. Por exemplo, o grupo M. Dias Branco”, pontua Fernando Viana. No entanto, a terceirização no mundo globalizado fez com que as cadeias de suprimento se expandissem em termos geográficos. E virassem as chamadas cadeias de suprimento globais. E, por isso mesmo, têm mais complexidade na gestão. “Essa mudança levou à adoção dos pressupostos da gestão da cadeia de suprimento, como relacionamentos de longo prazo com menos fornecedores, intensa troca de informação e conhecimento entre os diferentes componentes da cadeia, maior interação para resolução de problemas e inovação. Tudo isso virou algo essencial no mundo corporativo”, explica Viana.

 

Crescimento sem emprego pode?

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Domenico de Masi/Divulgação

Pode e está acontecendo. O mercado de trabalho vem nesta direção e Domenico de Masi, sociólogo italiano, nos avisou disso ainda nos anos 2000, quando teorizava sobre o ócio criativo. Recentemente ele disse “o crescimento sem emprego veio para ficar”.  Sem emprego mas com trabalho. Esta economia requer pessoas com qualificação e habilidades diferentes das que estamos acostumados. Assim como outros modos de produção também. O expediente e o emprego tradicional estão com os dias contados e a reforma trabalhista, que derreteu direitos dos trabalhadores, provam isso. Estudo de FIA (Fundação Instituto de Administração), da Universidade de São Paulo, traz o conceito das capabilities, constituídas principalmente da habilidade das empresas desempenharem e sustentarem rotinas muito mais específicas. O exercício dessas capacidades + habilidades exige igualmente recursos humanos adaptados ao novo normal. Em suma as organizações criam, incorporam e mudam competências e recursos internos e externos diante de mudanças ambientais. O que as tornam fontes de vantagem competitiva. E toda esta mudança requer preparação. Das pessoas aos processos!

 

 

 

 

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