O clima e o mercado

Por Ana Cristina Cavalcante - Em 10 de novembro de 2021

Environmental, social and governance? Explica.

 

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Crédito: Preven Org

 

O mundo todo fala. As empresas adotam. Na política, já é argumento de conquista de bolhas repletas de votos qualificados e formadores de opinião. E no dia a dia, está cada vez mais presente. O ESG – da sigla em inglês: environmental, social and governance – se refere às melhores práticas ambientais, sociais e de governança. E, mais! Tem sido um critério para definir  investimentos.  A cada dia que passa, fica mais difícil atuar fora da sustentabilidade. É obrigatório? Não! Mas é alternativa significativa para organizações que querem agregar valor às suas marcas e/ou reputações. Muita gente ainda não atentou para um detalhe: é possível conciliar os dois mundos. Negócios e economia verde estão cada vez mais ligados e podem seguir na mesma direção.

 

O que a sociedade ganha com isso?

 

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Crédito: BBC

 

A discussão climática é central, atualmente. Mas ainda não é ponto pacífico. E a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP-26), realizada durante a semana passada em Glasgow, mostrou isso. Nada de muito grande ficou acertado entre os países participantes. Ontem (9),  24 países e algumas das maiores fabricantes de automóveis do mundo conseguiram firmar pelo menos um  compromisso relevante. Encerrar a fabricação e uso de veículos movidos a combustíveis fósseis até 2040. O Brasil, como governo central, não assinou. Assim como qualquer cidade brasileira. Entre os que aderiram, estão Chile, Canadá, Nova Zelândia, Holanda, Irlanda e Reino Unido. Uruguai e Paraguai sinalizaram interesse. O pacto também foi assinado por grandes cidades do mundo como Nova York, Los Angeles, Londres, Barcelona e Buenos Aires. Pela iniciativa privada, estão as gigantes do setor Ford, Volvo e Mercedes-Benz.

 

A exemplo do Brasil…

Quem pensa que o Brasil é o único mau exemplo na questão climática está enganado. As duas maiores economias do mundo, EUA e China, e a maior da Europa, a Alemanha, também disseram não ao pacto. Na esteira, vêm Volkswagen e Toyota. Classificado como “histórico” pela ONU, o acordo está bem abaixo das expectativas em relação à COP-26, que nem eram tão altas assim. O fato é: países e fabricantes hegemônicos ainda não abriram mão da certeza do lucro em favor da sustentabilidade. Simples assim.

 

Uma questão de responsabilidade social.

Num futuro relativamente próximo ou em “modernos nichos de prosperidade” que já existem hoje, trabalhar para um mundo sustentável e ter resultados financeiros em uma empresa passará por três pilares:  responsabilidade social, meio ambiente e boa governança. Para algumas organizações, esse tripé já repercute onde realmente importa. No balanço financeiro. Aqui está uma boa razão para se adotar o ESG. Companhias com uma política ambiental e compliance usufruem de impactos positivos. Da maior lucratividade à valorização de mercado. Sintetizando: o comprometimento, com operação e gestão engajadas em diversos aspectos – incluindo o econômico –, dá resultado. E ainda faz bem para o planeta.

 

E o Ceará?

 

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Crédito: Divulgação

 

Com uma economia vocacionada para o setor de serviços, um parque industrial pequeno e imenso potencial para gerar energia limpa e renovável, o Ceará pode ser pioneiro no País em ESG. Recentemente, o Governo do Estado iniciou negociação com  a Fortescue Future Industries (FFI) para a implantação de uma usina de hidrogênio verde. Esta primeira planta será instalada no Complexo Industrial e Portuário do Pecém e terá investimento de US$ 6 bilhões. Na verdade, o Estado pode vir a ser um hub desse tipo de energia. O acordo com a multinacional prevê atuação em parceria com as universidades para o desenvolvimento de pesquisas na área. E, com isso, formar mão de obra qualificada aqui. Esta é, sem dúvida, uma ação concreta para descarbonizar o nosso ar.

 

Fortaleza também!

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Crédito: Divulgação

Fortaleza aderiu, em agosto, à campanha Race to Zero, agenda global da ONU para zerar as emissões líquidas de gases de efeito estufa até 2050. Com a adesão, vieram os compromissos. Entre eles, a criação de ruas verdes, redução da poluição do ar, desenvolvimento de edifícios com zero carbono, avanços em sistemas energéticos resilientes e sustentáveis. É bom lembrar que a capital cearense tem uma rede crescente de ciclovias e ciclofaixas, e dois programas de transporte compartilhado: um de bicicletas e outro de carros elétricos. Fortaleza se junta a outras 700 cidades na Race to Zero. A cidade também já tem seu  Plano Local de Ação Climática (PLAC), com o plano estratégico para reduzir emissões de Gases do Efeito Estufa (GEE) e se adaptar às consequências das mudanças climáticas.

 

 

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