Oportunidade de Investimento

Precisamos falar sobre energia

Por Ana Cristina Cavalcante - Em 12 de janeiro de 2022

Vivendo e aprendendo?

Encerramos dia 31 de dezembro um período muito específico para os mercados de energia. A motivação veio do próprio clima. Mas também da política. Ano de COP-26, cúpula das Organizações das Nações Unidas (ONU) para debater a questão, entra para a história como época especialmente crítica. No mundo eventos como furacão Ida, secas generalizadas e ventos excepcionalmente fracos na Europa, aliados a uma atitude mais firme de combate à mineração de carvão na China, levaram a aumento nos preços de energia. Na Europa, os valores recordes do gás natural conduziram o continente a depender do fornecimento russo/ex-repúblicas soviéticas. Você certamente viu no noticiário internacional as manifestações de rua e a reação violenta e cruel do governo, no Cazaquistão. Uma das antigas repúblicas soviéticas citadas acima, é dona de meio planeta em gás natural que aquece a acende luzes no continente europeu. Assistiu também ao embate Putin, o russo, e Biden, o norte-americano. Vejam se não é uma gangorra clima x economia x política: um inverno mais frio pode levar a mais destruição da demanda, particularmente nos setores intensivos em energia. E este fator ameaça estender a alta dos preços para outras commodities, como metais e fertilizantes. No Brasil, novo aumento dos combustíveis nesta quarta-feira piora um quadro que já é bastante ruim. Ontem, o índice oficial da inflação brasileira, o IPCA, fechou em 10,06%, superando a temida barreira dos dois dígitos. Combustível dolarizado foi um dos pilares desse aumento acachapante de preços da economia. Aqui ou no mundo, aumentos de dois dígitos nas contas do aquecimento global afetam o sentimento dos consumidores.

Biden e Putin em tentativa de negociação sobre gás/Foto: BBC

O Ceará tem a ver com isso sim.

Governador Camilo Santana e parceiros do hub de hidrogênio do Ceará/Foto: Carlos Gibaja

Toda a nota de abertura desta coluna é para dizer que, da crise, vem a oportunidade. Olha os chineses aí de novo! O movimento dos agentes mercadológicos para atender à demanda energética pode resultar em investimento. Uma leitura rápida na geopolítica é suficiente para perceber a reação geral dos países importadores de energia. E esse movimento consiste em enxergar, naquilo que é renovável (mais do que limpo, diga-se a bem da verdade), uma solução para reduzir a dependência energética. Recursos para exploração petrolífera, construção de hidrelétricas? Ainda prevalecem. Porque estão à mão. Porém, aqueles que preferem antecipar o futuro, até para garantir que ele exista, direcionam sua ação para outras matrizes como a solar, eólica, de biomassa, das marés. E até mesmo – e principalmente, por que não? – dos resíduos sólidos. Também conhecidos como lixo. Dessa forma, é possível que ocorra uma aceleração nos investimentos em energia renovável. Ainda mais porque os prazos de execução de projetos solares e eólicos, por exemplo, podem ser bastante curtos (de três a 12 meses) e há possibilidades na China, Índia e sul da Europa. Bem perto de nós, temos uma opção preciosa. O governador do Ceará, Camilo Santana, prepara o hub de hidrogênio verde. Por meio de termos de compromisso de ação conjunta entre o Governo do Estado e empresas como Ingenostrum do Brasil e Total Eren, o projeto avança. Juntos, apenas estes protocolos somam R$ 7,6 bilhões. Novos estão em articulação e outros já foram acertados. Estes parques de produção de energia limpa estarão distribuídos entre o Complexo Industrial e Portuário do Pecém, e as cidades de Ibicuitinga e Quixadá.

O hidrogênio é verde!

Se a liberdade é azul, a fraternidade é vermelha e a igualdade é branca, o hidrogênio é verde! A coluna recorre à Trilogia das Cores de  Krzysztof Kieslowski, cineasta polonês, não apenas para dar um ar poético-cultural à discussão climática. E, sim, para mostrar a correlação essencial entre política, aquecimento global e economia. Formação da União Europeia, luta de classes e individualismo estão na obra de Kieslowski, nos discursos de Greta Thunberg e na ação de Edu Lyra, na Gerando Falcões, para citar apenas alguns cases. O hidrogênio como combustível é visto como peça importante para o futuro neutro em carbono. Mas sua transformação de gás em combustível demanda uma grande quantidade de energia. Portanto, é importante prestar atenção nessa fonte para que o produto final seja mesmo um elemento funcional da cadeia que se forma para limpar a atmosfera. E que, cada vez mais, o conceito de descarbonização esteja presente no nosso cotidiano. Gerando ar puro, trabalho, renda e riqueza. Com distribuição!

#PensamentoEconômico

Edu Lyra, da Gerando Falcões/Foto: Leandro Fonseca

Já que a coluna citou o Edu Lyra, fundador e CEO da Gerando Falcões, o #PensamentoEconômico de hoje lhe será dedicado. Criado numa comunidade muito pobre em Guarulhos (SP), Lyra sempre se inquietou com a possibilidade de transformar o seu meio ambiente social. A Gerando Falcões é um ecossistema de atendimento social e econômico que se espalha pelas favelas do país. Antes que Bezos, Brason ou Musk levem os ricos para morar em Marte, Lyra quer que a realidade do povo pobre seja mudada. Para isso, ele aposta num tipo de elite que devolve à sociedade, por meio de investimentos e mesmo apoio a projetos como o dele como forma de distribuição de renda. Em entrevista ao jornalista Roberto D’Avila, exibida ontem, na Globonews, ele disse:

“Existe uma diferença entre rico e elite. Rico é galpão. Só armazena. Elite é CD [Centro de Distribuição]: recebe, processa e (re)distribui”.

Se é assim mesmo, o tempo dirá. A torcida por aqui é que a visão otimista do militante social seja certeira. A conferir.

Mais notícias

Ver tudo de IN Express