A montanha-russa de 2021

Que ano, senhoras e senhores!

Por Ana Cristina Cavalcante - Em 27 de dezembro de 2021

A montanha-russa de 2021…

É oficial! Chega ao fim 2021, o segundo ano da pandemia que nos atingiu com um vírus capaz de feitos inacreditáveis. Como parar o mundo e, consequentemente, sua economia! E que histórias temos para contar sobre os últimos 12 meses das nossas vidas! Um tempo de empobrecimento da Nação? Sim. De desvalorização do real e alta da inflação? Correto. Desemprego? Entre as maiores taxas da história. Juros altos? Recessão? Também! Milhares de pessoas passaram a viver nas ruas. Famílias inteiras dias a fio em canteiros e esquinas, com suas crianças, em total desalento. E o pior de tudo: quase 620 mil pessoas perderam suas vidas para a Covid-19. Nesta última semana do ano 21 do século 21, vamos trazer alguns fatos importantes que marcaram a economia do Brasil e do mundo. São muito acontecimentos. Todos nós sabemos como os tempos têm sido difíceis. Por outro lado, verdade também dizer que mostramos quão fortes podemos ser. Quanta resiliência brasileiros e brasileiras, de todas as idades, mostraram na luta pela sobrevivência. Vimos, ainda, a determinação e a humanidade de governadores e prefeitos tentando, de todas as formas possíveis e imagináveis, salvar as pessoas. Em meio à dureza de uma pandemia, pudemos ver a boa política dos governos e das prefeituras deste País. O mesmo vale para a ampla maioria dos que integram o Poder Judiciário e o Parlamento. Nunca tudo são espinhos. Esta é a lição que aprendemos. Veio a vacina,  primeira, segunda e terceira dose. Adolescentes estão sendo imunizados e, agora, crianças de 5 a 11 anos, também vão poder receber a proteção contra o vírus.

 

O dragão voltou!

Roberto Campos Neto/Divulgação

Quem tem menos de 30 anos não vai lembrar do monstro indestrutível que assombrava não as criancinhas. Mas seus pais. Chamado de inflação, corroía o dinheiro fossem salários, fosse renda. Por seu pode destruidor ganhou o apelido de dragão inflacionário. Foi exterminado (ou pensava-se que sim) a partir da adoção do Plano Real, pelo então presidente da República Itamar Franco.  De 2020 para 2021, o avanço nos preços administrados no Brasil foi, sem dúvida, um dos mais visíveis na economia do dia a dia. Já atingimos os dois dígitos e o índice oficial é de 10,74%. Vários fatores explicam a volta do monstro. Um deles é a alta do dólar, fator que já vinha pressionando o IPCA desde o ano passado. Porém, a persistência da pressão em 2021 afetou diretamente o valor do combustível, conta de energia e alimentos. E inflação de alimentos, caros leitores, é o pior dos mundos para um país tão desigual como é o nosso. Contamos aqui, na coluna, que para tentar conter esse avanço, o Banco Central, que ganhou autonomia sob o comando do presidente Roberto Campos Neto, subiu a taxa básica de juros em reuniões consecutivas, com o último aumento elevando a Selic para 9,25%, ante aos 2% do final de 2020. Muito possivelmente ela passará dos 11% no em 2022, voltando aos níveis de 2017.

 

Encher o tanque?

Faça o teste: passe em frente a um posto de combustíveis e olhe para as placas de preços  estrategicamente instaladas para serem vistas. Tente segurar o queixo.  Consegue? A precificação dos combustíveis no Brasil passou por uma mudança drástica. Passou a seguir o preço do barril de petróleo comercializado no mercado internacional. Sim! Mesmo o Brasil tendo pré-sal que o faria autossuficiente se fosse explorado pela estatal brasileira de petróleo. Resultado:  o valor do combustível nas bombas disparou. Passou de uma média de R$ 4,22 em novembro de 2020 para R$ 6,9 neste ano, uma alta de 51%, segundo o Índice de Preços Ticket Log (IPTL). Sem interferência do governo, os preços administrados pela Petrobras também atingiram em cheio a cozinha dos brasileiros, com o botijão de gás chegando em R$ 140,00. Um ano atrás, o botijão custava R$ 100 segundo dados da Fundação Getúlio Vargas.

 

Apaga a luz!

 

Economia de energia foi a tônica do ano/Divulgação

 

Para completar o cenário, faltou chuva e o Brasil vivenciou uma de suas maiores crises hídricas em décadas. A consequência imediata se deu no bolso do brasileiro. Isso porque a maior fonte de energia no Brasil depende de recursos hídricos. As hidrelétricas entraram em situação de alerta em todo Brasil, e os custos para operação ficaram maiores. Para sustentar esse aumento, os brasileiros precisaram pagar mais. O acionamento do sistema reserva fez a bandeira vermelha chegar ao nível 2. O valor foi insuficiente, e exigiu que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) criasse a bandeira de escassez hídrica, que adiciona R$ 14,20 à conta a cada 100 quilowatts-hora consumidos. Segundo o IBGE, a conta de luz ficou 32% mais cara em um ano até outubro, e com a pior seca do Sudeste em 90 anos, a tarifa especial seguirá em 2022.

 

Cadê o emprego?

 

Quase 14 milhões de desempregados no Brasil/Divulgação

 

Vocês já perceberam que as principais repercussões dos dois últimos anos caíram como uma bomba sobre um dos motores mais importantes da economia brasileira? O consumo das famílias. O Brasil é um país de assalariados. Rentistas, bilionários, proprietários de imóveis são minoria e não gastam seu dinheiro no mercado local. Viajam e fazem suas compras em main streets mundo a fora. Com essas características, imaginem o que aconteceria se houvesse desemprego no País? Não precisa imaginar, não é? Estamos vendo 14 milhões de brasileiros e brasileiras de todas as idades desempregados. Outros tantos milhões em trabalhos precarizados e alguns milhares “empreendendo”. Ainda que o Brasil tenha conseguido criar vagas de emprego em 2021, o problema da falta de oportunidade de trabalho também guiou o dia a dia das famílias. Com o aumento exponencial de postos de baixa qualidade (com remunerações e benefícios piores do que antes da crise) houve um crescimento acelerado de pessoas trabalhando por conta própria. O IBGE estima que 7 milhões de pessoas partiram para este tipo de ocupação, que envolve desde vendedores de bala no semáforo até empresas que contratam sem vínculo empregatício. Isso fez com que a renda média do brasileiro caísse em torno de 10% em um ano e 15% comparado ao período pré-pandemia, segundo o Ipea. Com a inflação passando de 10%, o salário médio do brasileiro está ajustado aos níveis de 2015.

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