Sustentabilidade

Retrospectiva climática

Por Ana Cristina Cavalcante - Em 28 de dezembro de 2021

E a sustentabilidade em 2021?

Um dos temas mais tratados em 2021, no setor produtivo, foi a sustentabilidade. ESG, energias renováveis e limpas, hub de hidrogênio no Ceará, programas de compartilhamento na mobilidade urbana, com carros elétricos e bicicletas. Todos temas que nos provam que o ano que acaba também teve eventos positivos. E a busca por um novo ecossistema de negócios é uma das melhores notícias que temos para celebrar.  Porém, a mudança de atitude está sendo forjada na necessidade de uma transformação drástica. Tivemos a maior crise hídrica em 91 anos, que assolou com mais intensidade a região Centro-Sul do País. Em contrapartida, neste momento, alguns estados têm cidades inteiras debaixo d’água, como acontece no sul da Bahia, Tocantins e Minas Gerais. O quê parece contraditório é, na verdade, consequência do descaso com a questão climática. Como diz o provérbio indígena, “só quando a última árvore for derrubada, o último peixe for morto e o último rio for poluído é que o homem perceberá que não pode comer dinheiro.”

 

A Cúpula que resolveu quase nada!

 

COP 26 realizada em Glasgow, no último mês de novembro, reuniu lideranças mundiais/Reuters

A 26ª Conferência do Clima das Nações Unidas (COP26), realizada em Glasgow, na Escócia, em novembro, reuniu os protagonistas das decisões mundiais. Estavam todos lá: Estados Unidos, China, Alemanha, França e até o Brasil, responsável por grande parte da preocupação dos líderes mundiais no que se refere à Amazônia. Todos comandados pelo anfitrião, o Reino Unido.  A meta era um acordo ambicioso de descarbonização do Planeta. Ou seja, reduzir drasticamente a emissão de gases poluentes. Decisão que impacta diretamente numa das indústrias mais poderosas entre todas: a automobilística. E, ainda, em decisões políticas para o transporte público, investimentos em novas matrizes energéticas, educação ambiental e formação de capital verde.

 

Alguns acordos, boas intenções  e nada sobre financiamento.

 

Txai Suruí, ativista indígena brasileira, em seu discurso na abertura da COP 26/Reuters

 

Havia uma enorme expectativa em torno dos acordos que sairiam da Cop 26. A reunião teve importantes anúncios de metas voluntárias dos países para “descarbonizar” a economia. Se, por um lado, os gigantes Estados Unidos e China conseguiram dialogar, por outro, nada ficou resolvido sobre como financiar os países em suas políticas de combate ao desmatamento e para promover a descarbonização. Prevaleceu mesmo a decepção! O Brasil comprometeu-se a zerar o desmatamento ilegal até 2028 e assinou acordo, junto com outros 100 países, para reduzir em 30% a emissão do gás metano até 2030. Só não disse como vai fazer. Espera-se que muitas definições sejam tratadas apenas na COP27, em 2022.  Sabe aquilo de fazer uma reunião para marcar a próxima… reunião? Além de autoridades, líderes empresariais e celebridades presentes, também houve destaque para a participação de movimentos sociais e lideranças indígenas. A jovem ativista brasileira Txai Suruí, de 24 anos, foi a primeira indígena a discursar na abertura de uma conferência sobre clima.

 

Década dos Oceanos e a Economia Azul!

 

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Economia Azul: riqueza do mar e Década dos Oceanos/Divulgação

 

A  Economia Azul é a grande boa nova deste ano.  É que a Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu o período entre 2021  e 2030 como a Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável. Todos os países terão que atuar em conjunto para a geração e divulgação de conhecimento sobre o oceano. No Brasil,  A Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, uma das instituições da sociedade civil representantes da Década do Oceano, promoveu uma jornada de cocriação de soluções para o mar e as regiões costeiras. O Camp Oceano selecionou 19 propostas de todo o país para serem colocadas em prática a partir de 2022. Isto gerou um total de R$ 3,7 milhões em apoio. O primeiro Edital Conexão Oceano de Comunicação Ambiental ofereceu cinco bolsas para a produção de reportagens sobre a temática, que foram publicadas em veículos de comunicação de diferentes regiões do país, em variados formatos e plataformas.

 

Política e meio ambiente de mãos dadas?

Presidente Joe Biden: dificuldades com o Green Deal/Agência Brasil

O meio ambiente e a política precisam ser siamese twins. Não resta nenhuma dúvida sobre isso. O Brasil mandou para Glasgow a maior delegação entre os participantes, perdendo apenas para os anfitriões britânicos. Não por acaso, o ministro do Meio Ambiente não era Ricardo Salles, mas Joaquim Leite. Em vez de “passar a boiada”, Leite assumiu compromissos de não desmatamento e redução de gases poluentes. Nos Estados Unidos, a mudança foi ainda mais impactante. Saiu Donald Trump, chegou Joe Biden que foi eleito com uma plataforma chamada Green Deal. Entre suas primeiras medidas, recolocou os EUA no Acordo de Paris e apresentou a meta de reduzir em 50% as emissões do país até 2030. Também anunciou  um pacote trilionário de recuperação verde. Em abril, Biden promoveu uma cúpula de líderes mundiais sobre o clima em preparação para a COP26. No entanto, ainda não conseguiu convencer o seu Congresso sobre a nova política ambiental. E o ano chega ao fim com uma série de dificuldades do  governo em relação às negociações com o Parlamento.

 

#PensamentoEconômico

“Meu pai, o grande cacique Almir Suruí, me ensinou que devemos ouvir as estrelas, a lua, o vento, os animais e as árvores. Hoje o clima está esquentando, os animais estão desaparecendo, os rios estão morrendo, nossas plantações não florescem como antes. A Terra está falando, ela nos diz que não temos mais tempo.”

 

O #PensamentEcoômico de hoje é um trecho do discurso de Txai Suruí na abertura da Cop 26, realizada em Glasgow, Escócia, no último mês de novembro

 

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