O quê esperar de novembro

Por Ana Cristina Cavalcante - Em 3 de novembro de 2021

Starting over…

 

Screenshot 20211103 115128 Google

Crédito: Ascom Congresso

A primeira semana de novembro começa com algumas expectativas já conhecidas de todos nós. Uma? A votação dos Precatórios. Duas? A  transformação do ex-auxílio emergencial para o futuro Auxílio Brasil, que pretende substituir o Bolsa Família. Três? A batalha épica travada no Parlamento em torno da estrutura fiscal do País. Talvez, a brasileira e o brasileiro que saem para trabalhar todos os dias já estejam cansados de todos estes temas e queiram algo mais concreto, em vez de seguidas reuniões para marcar novas reuniões. Eleitores querem soluções para tais questões. Parlamentares anseiam por quórum. Enquanto se buscam vitórias no Congresso, especialmente na Câmara, as pessoas demandam mesmo é combustível mais barato acesso ao emprego, inflação menor, trabalho e políticas que sejam capazes de gerar renda. Sabem aquela riqueza das nações que tornou o Adam Smith famoso? Se você não sabe de quem se trata (talvez ele não seja tão famoso), uma dica: o pensador econômico que criou a mão invisível. Não confundir com a da Família Adams, que nem invisível era. Mas dava sua imensa contribuição ao funcionamento da mansão da família. Tinha utilidade. Já a  mão smithiana pregou, prega e pregará o ajuste do mercado por si só, sem a interferência do Estado. Há quem duvide; há quem aposte.

 

O mercado que lute!

Ele está lutando! Creiam. Aqui, cabe uma explicação. Quando nos referimos a mercado, de uma maneira genérica, estamos falando do segmento que faz a gestão de aplicações financeiras. O mercado não é só isso – o que já seria muito.  Este espaço meio mítico, desde que a ideologia liberal/neoliberal veio e ficou, exerce fascínio sobre a humanidade. Ficar rico rápido, sem esforço e sem produzir. O lema é “deixe seu dinheiro trabalhar por você”.  Cria dos primórdios do capitalismo, do Hemisfério Norte ao Sul e de Leste a Oeste do Planeta, aplicações financeiras –  das mais conservadores e baratas  (Poupança, Imóveis e Renda Fixa) às mais arriscadas e rentáveis (como Bolsa e as trend topics Criptomoedas) – não dão resultado nas economias em estado de estaginflação como a brasileira. Por incrível que pareça, para o mercado financeiro operar em alta, é necessário uma engrenagem em movimento, gerando emprego/trabalho, renda e arrecadação. E onde o mercado entra? No financiamento deste movimento. Bancos tradicionais ou digitais, fintechs, cooperativa de créditos. E até a Bolsa Valores, em que se compra debêntures ou ações preferenciais que pagam dividendos na proporção da elevação de seus lucros.

 

Mão invisível do Smith ou a da Família Adams?

Screenshot 20211103 114716 Google

Crédito: Site Parada Obrigatória

 

O que eu, cidadã ou cidadão de qualquer classe econômica, tem a ver com toda essa conjuntura? A resposta é simples: TUDO. Fazer a economia girar depende de alguns pilares importantes. Aquilo que os economistas denominam de fundamentos econômicos. O primeiro deles é o monetário. Em português: dinheiro. O segundo é a liquidez. Outra vez no nosso idioma: dinheiro circulando de mão em mão naquela cadeia conhecida como consumo. Terceiro: poupança interna. Numa nação em que seus indivíduos não conseguem retirar uma parcela de sua renda mensal para guardar, essa mesma nação passa a não ter reservas. Ao contrário, adquire dívida pública. Quarto, crédito. Sem empréstimos acessíveis e que caibam nos orçamentos familiares e empresariais, a roda para.  E para voltar a se movimentar, só uma mão invisível com rodinhas. Simples assim.

 

A inflação nossa de cada dia…

Toda esta explicação é para dizer que o Brasil vive hoje um momento muito delicado em sua economia. Dentro do espectro monetarista, a alta de preços seguida, sistemática e em patamares cada vez mais altos é um dos vetores mais importantes do fundamento monetário. Nossa economia tem âncoras. Chamadas de metas. Já foi fiscal, já foi cambial… Agora é inflacionária. A meta da inflação nos próximos anos está entre 3,75%, este ano, e 3,50% em 2022; 3,25%, em 2023; e 3% em 2024. O problema é que, neste exato momento, temos uma inflação que varia entre 8,96% a 9,17%. Esta já é a previsão desta segunda-feira, 3 de novembro, do Boletim Focus do Banco Central. A base utilizada para a meta é o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O movimento das projeções dos economistas do mercado para o Índice em 2021 subiu pela 30ª semana consecutiva. Para 2022, também subiu, de 4,40% para 4,55%.

 

Black Friday!!!!!!

 

Girl On A Yellow Background With Shopping Bags

Foto: prostooleh/freepik

Quem fica esperando ansiosamente pela sexta-feira de Black Friday, já pode se preparar. Este ano, a mega-blaster-über promoção acontece  no dia 26. Oportunidades à parte, vale o aviso. Muito cuidado para não cair em armadilhas de preços. Estudo enviado à coluna pela Behup – Pesquisa Retomada do Consumo 2021 para Inteligência de Mercado Globo – revela que 70% dos brasileiros são atraídos para a Black Friday pelo baixo valor das mercadorias. De acordo com o professor universitário e advogado Fabricio Posocco, do escritório Posocco & Advogados Associados, o problema pode estar na maquiagem de preço. Ele dá uma dica pertinente: “O consumidor deve monitorar o preço do produto ou serviço antes da sexta-feira de descontos. Se perceber um aumento inesperado nos dias que antecedem a Black Friday e uma baixa para o valor original no dia da ação, a loja deve ser denunciada ao Procon”. A mesma regra vale para o frete.  Outro alerta: a empresa que reduz o valor do produto e compensa o desconto elevando o valor do frete, pode ser multada pelo órgão de defesa do consumidor. Portanto, multiplique a sua atenção por dois em vez de pagar a metade do dobro por seus produtos blackfridianos.

 

At last, but no at least.

 

Screenshot 20211103 115403 Google

Crédito: Brazil Journal

 

Os mercados abriram hoje com Ibovespa em queda e dólar subindo. Nenhuma novidade para nós, pobres mortais que amortecemos as pancadas da economia diariamente. às 10,50, enquanto esta coluna estava sendo redigida, o dólar avançava 0,21%, a R$ 5,6913 na venda, deixando para trás a mínima do dia, de R$ 5,6570 (-0,25%). Os  investidores ainda estão digerindo a ata da última reunião de política monetária do Banco Central, enquanto aguardavam a decisão de política monetária do Federal Reserve. O reflexo da política de juros dos Estados Unidos são diretos no comportamento de todo o mercado financeiro brasileiro. E não só.  Repercutem também no setor produtivo. Juros mais altos no mercado estadudinense promovem uma fuga de capitais que, muitas vezes equilibram estabilidade e consequente proteção ao seu dinheiro. Até mais do que rendimentos. Analistas já cogitam que o Banco Central parece disposto a adotar taxas de juros mais altas para segurar a inflação do ano que vem.  E a expectativa é de mais elevação a partir do ano que vem. Dica da coluna: aproveitem o momento e vejam em que papeis seu dinheiro estará protegendo mais. A remuneração virá mais tarde. Ela sempre vem.

 

 

Mais notícias

Ver tudo de IN Express