IMPACTOS RELEVANTES
Acordo Mercosul – União Europeia deve reposicionar o Ceará no comércio global
Por Marcelo Cabral - Em 19/01/2026 às 4:32 PM
O acordo de livre comércio Mercosul – União Europeia assinado no último sábado (17), inaugura uma das maiores zonas sem cobrança de tributos do mundo e deve gerar impactos relevantes para empresas cearenses exportadoras, consolidando a expansão dos negócios entre o Ceará e países europeus observada nos últimos anos. O estudo ‘Relações Comerciais – União Europeia’, elaborado pelo Centro Internacional de Negócios (CIN) da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), aponta que, apenas em 2025, as exportações do Estado para a União Europeia alcançaram US$ 447,1 milhões, crescimento de 72% em relação a 2024.

Porto do Pecém movimenta mais da metade das exportações cearenses Foto: Divulgação
Ao todo, 26 países europeus importaram produtos cearenses no período, com destaque para Itália (US$ 93 milhões) e Países Baixos (US$ 90,4 milhões). França (US$ 74,7 milhões), Polônia (US$ 59 milhões) e Alemanha (US$ 48,2 milhões) completam a lista dos principais destinos. Os dados evidenciam uma mudança estrutural no perfil do comércio exterior estadual.
Segundo o levantamento, o Ceará vem reduzindo a dependência do mercado norte-americano e posicionando a União Europeia como principal bloco econômico de destino de seus produtos – atrás apenas de mercados individuais de grande porte. “Nos últimos cinco anos, a participação da União Europeia nas exportações cearenses cresceu de forma expressiva, passando de cerca de 8% em 2021 para 19,6% em 2025”, observa Milena Lima, analista de Comércio Exterior Júnior do CIN.
Outro ponto de destaque é a diversificação da pauta exportadora. Embora o setor de ferro fundido, ferro e aço lidere as vendas externas (US$ 148,5 milhões), segmentos como frutas frescas (US$ 84,6 milhões); sal, terras e pedras (US$ 66,6 milhões); combustíveis minerais (US$ 44,8 milhões) e gorduras e óleos vegetais (US$ 34,3 milhões) ampliaram sua presença no mercado europeu, reforçando a pluralidade da produção cearense.
Com a assinatura do acordo, a expectativa é de que haja um fortalecimento adicional das relações comerciais entre empresas locais e europeias. “Vamos analisar estrategicamente as adaptações necessárias para que os benefícios do acordo sejam plenamente aproveitados, respeitando o cronograma previsto. Após a aprovação legislativa, a implementação ocorrerá de forma gradual”, afirma Karina Frota, gerente do CIN.
Superávit recorde
O levantamento também revela que a combinação entre o avanço das exportações e a retração das importações – que recuaram 18% – levou a balança comercial do Ceará com a União Europeia a um superávit recorde de US$ 197 milhões, revertendo o déficit de US$ 45 milhões registrado em 2024.
As importações provenientes do bloco europeu totalizaram US$ 250 milhões, queda atribuída, sobretudo, à redução das compras de combustíveis minerais, à forte retração nas aquisições de máquinas elétricas e a uma postura mais seletiva na importação de bens de capital. O movimento reflete, segundo o CIN, o ajuste das cadeias produtivas estaduais ao longo de 2025 e um cenário de maior racionalização dos investimentos.
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