Comércio exterior

Alckmin descarta retaliação aos EUA e diz que Lei da Reciprocidade será usada com cautela

Por Redação - Em 22/07/2026 às 12:01 AM

Geraldo Alckmin Foto Agência Brasil

Após reuniões com representantes dos setores mais afetados pela decisão americana, Alckmin destacou que o objetivo do governo é buscar uma solução negociada para o impasse comercial FOTO: Agência Brasil

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou, nessa terça-feira (21), que o governo brasileiro não pretende responder de forma imediata às tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos nacionais. Segundo ele, a Lei da Reciprocidade Econômica deve ser tratada como um instrumento gradual de negociação, e não como uma medida de retaliação.

Após reuniões com representantes dos setores mais afetados pela decisão americana, Alckmin destacou que o objetivo do governo é buscar uma solução negociada para o impasse comercial. Na avaliação do vice-presidente, a legislação aprovada pelo Congresso oferece mecanismos de defesa dos interesses brasileiros, mas sua aplicação seguirá critérios técnicos e ocorrerá no momento considerado mais adequado.

Durante o encontro, representantes da indústria e do agronegócio apresentaram propostas para reduzir os impactos da nova tarifa sobre as exportações. Uma das principais reivindicações foi a flexibilização das regras do regime de drawback, mecanismo que desonera tributos sobre insumos utilizados na fabricação de produtos destinados ao mercado externo.

Segundo Alckmin, o setor pediu a prorrogação dos prazos para cumprimento das obrigações do drawback, permitindo que empresas que deixaram de exportar por causa das novas tarifas tenham mais tempo para direcionar seus produtos a outros mercados sem perder os benefícios fiscais.

Outra demanda apresentada ao governo foi a ampliação do acesso ao crédito por meio do Plano Brasil Soberano. De acordo com o vice-presidente, os recursos poderão ajudar empresas a reforçar o capital de giro, ampliar investimentos e acelerar a diversificação de mercados internacionais.

Alckmin também ressaltou o papel da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) na estratégia de expansão comercial. Segundo ele, a agência será responsável por intensificar a busca por novos destinos para os produtos brasileiros e apoiar empresas na conquista de mercados capazes de compensar eventuais perdas nas vendas para os Estados Unidos.

A Lei da Reciprocidade Econômica, sancionada em 2025, autoriza o Brasil a adotar contramedidas comerciais diante de ações unilaterais de outros países que afetem a competitividade nacional. O governo, no entanto, afirma que a prioridade continua sendo o diálogo para preservar as relações comerciais entre os dois países.

Mais notícias

Ver tudo de IN Business