BÚSSULA ECONÔMICA
André Esteves vê fim do ciclo de euforia nos EUA e aponta América Latina como novo destino do capital global
Por REDAÇÃO - Em 27/04/2026 às 9:26 AM

André Esteves aponta mudança no fluxo global de investimentos e reforça protagonismo da América Latina Foto: — Alan Teixeira/Divulgação
O chairman do BTG Pactual, André Esteves, indicou uma mudança relevante no fluxo de investimentos globais, com saída gradual dos Estados Unidos e maior interesse por ativos latino-americanos, em meio a incertezas com inteligência artificial e tensões geopolíticas.
O cenário internacional começa a dar sinais de inflexão após anos de forte concentração de capital nos Estados Unidos. Segundo Esteves, o movimento foi impulsionado pela revolução tecnológica, mas já apresenta limites claros. “Nos últimos quatro ou cinco anos, os Estados Unidos foram como um buraco negro, que atraía dinheiro de todo lugar”, afirmou Esteves durante o Latam Focus 2026, em Santiago, no Chile.
Para o executivo, o momento atual marca uma realocação global de portfólios, com investidores buscando diversificação fora do eixo tradicional. Ele resume o ciclo com uma metáfora direta: “As árvores crescem, ficam grandes, mas nunca alcançam o céu”.
Essa mudança ocorre em paralelo ao que o mercado passou a enxergar como excesso de valorização de ativos ligados à tecnologia. O exemplo mais emblemático, segundo ele, é a gigante Nvidia, que chegou a atingir valor próximo ao de todo o mercado acionário japonês, evidenciando distorções de preço.
Com isso, ganha força a busca por ativos reais e regiões consideradas mais previsíveis. Nesse contexto, a América Latina desponta como alternativa estratégica, combinando estabilidade relativa e forte capacidade produtiva.
Brasil competitivo

Brasil se consolida como potência agrícola global, com alta competitividade na produção de grãos e papel estratégico no abastecimento mundial de alimentos — Foto: Paulo Kurtz/Embrapa
Esteves destaca que países como Brasil e Chile se beneficiam de uma posição competitiva global, sobretudo na produção de commodities essenciais. A região reúne vantagens em setores como grãos, proteínas, energia, cobre e lítio, itens-chave para a transição energética e segurança alimentar.
Além disso, os ativos latino-americanos ainda são negociados com desconto relevante em relação aos mercados desenvolvidos. Esse fator amplia o apelo para investidores estrangeiros em busca de retorno ajustado ao risco.
Outro vetor importante é a geopolítica. O uso do dólar como instrumento de pressão internacional, evidenciado pelo congelamento de ativos russos, elevou a preocupação global. “Isso faz investidores buscarem diversificação em ouro ou ações na América Latina”, explicou.
Na avaliação do banqueiro, a região funciona hoje como um “bairro calmo” em um mundo marcado por conflitos e instabilidade, o que reforça sua atratividade.
Ao olhar para o Brasil, mesmo diante de um ambiente político polarizado, Esteves projeta continuidade de uma agenda econômica pragmática, independentemente do resultado eleitoral.
Para o investidor, a recomendação é clara. O foco deve migrar para moedas latino-americanas e mercados acionários locais, especialmente empresas com vantagem competitiva global ou forte presença doméstica. “Gosto das moedas latino-americanas e dos nossos mercados de ações”, concluiu.
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