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Após ligação entre Lula e Trump, Brasil e EUA reabrem negociação para tentar conter impasse tarifário

Por Marcelo Cabral - Em 22/08/2026 às 1:21 AM

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Reaproximação entre os presidentes do Brasil e EUA pode ter impacto positivo nas exportações brasileiras- Foto: Fábio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O Brasil e os Estados Unidos deverão retomar na próxima semana as negociações para tentar superar o impasse comercial provocado pelas tarifas impostas pelo governo americano a produtos brasileiros. A reabertura do canal diplomático ocorre após uma conversa telefônica entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, realizada nesta sexta-feira (21).

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e representantes do Ministério das Relações Exteriores (MRE) deverão se reunir com integrantes do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). A data ainda será definida pelas equipes dos dois governos.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) confirmou ter recebido contato do representante comercial americano, Jamieson Greer, depois da ligação entre Lula e Trump. O movimento sinaliza a retomada de um canal técnico de negociação entre Brasília e Washington em meio à escalada das divergências comerciais.

Telefonema destrava diálogo

Trump Lula

Lula argumentou com Trump que as tarifas produzem prejuízos para as duas economias

Lula telefonou para Trump na manhã desta sexta. Segundo o Palácio do Planalto, a conversa durou uma hora e 20 minutos e transcorreu de maneira cordial. No centro da discussão esteve o tarifaço dos Estados Unidos contra produtos brasileiros. Lula defendeu a retomada imediata das negociações e contestou os fundamentos apresentados por Washington para justificar as medidas comerciais.

Entre os temas levantados pelo governo americano estão questões relacionadas ao desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de mercadorias associadas a trabalho forçado.

Lula argumentou que as tarifas produzem prejuízos para as duas economias e defendeu o diálogo como instrumento para preservar a relação comercial. Trump, por sua vez, concordou com a necessidade de manter os vínculos econômicos e sinalizou a retomada das conversas entre as equipes dos dois países.

A reação institucional veio logo depois. Em manifestação conjunta, Mdic e Itamaraty avaliaram que a sinalização dada pelos presidentes cria uma nova oportunidade para uma saída negociada do impasse.

Segurança também entra na agenda

A conversa não ficou restrita às tarifas. Lula e Trump discutiram a ampliação da cooperação no combate ao crime organizado, outro tema que ganhou espaço na agenda bilateral.

O presidente brasileiro defendeu ações conjuntas, mas sustentou que organizações criminosas, embora exerçam forte pressão sobre populações vulneráveis, não devem ser equiparadas a organizações terroristas.

Lula apresentou medidas adotadas pelo Brasil para atingir financeiramente essas estruturas criminosas. Segundo os dados mencionados durante a conversa, ações de asfixia financeira do crime organizado resultaram na apreensão de aproximadamente R$ 17 bilhões.

Entre as iniciativas citadas pelo governo brasileiro estão a Lei Antifacção e a criação do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, em Manaus.

De acordo com o Planalto, Trump manifestou disposição para ampliar a parceria na área de segurança e afirmou que indicará representantes de alto escalão de seu governo para dar continuidade às tratativas.

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