Geopolítica energética

Ataques no Estreito de Ormuz elevam tensão no Oriente Médio e pressionam mercado global de petróleo

Por Suzete Nocrato - Em 11/03/2026 às 11:41 AM

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Navio de bandeira tailandesa em chamas após bombardeio na região do Golfo Pérsico.  Foto: Marinha Real da Tailândia/AFP

A escalada da guerra no Oriente Médio voltou a atingir uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta. Pelo menos três embarcações foram atacadas nesta quarta-feira (11/3) na região do Estreito de Ormuz, corredor essencial para o transporte global de petróleo. O Irã reivindicou o ataque as embarcações. A agência de notícias AFP informou ainda que uma quarta embarcação também teria sido alvejada ao navegar pela área, embora não houvesse detalhes confirmados sobre o navio.

A escalada militar ocorre em meio às retaliações iranianas após bombardeios conduzidos por Estados Unidos e Israel, com ataques direcionados a infraestruturas petrolíferas no Golfo. O porta-voz do quartel-general do comando militar de Khatam ‌al-Anbiya, em Teerã, afirmou que Washington não conseguirá conter os efeitos da crise no mercado energético.

Preparem-se ⁠para o barril de petróleo chegar a US$200, porque o preço do petróleo depende da segurança regional, que vocês desestabilizaram”, declarou. Diante do risco de crise energética, a Agência Internacional de Energia (AIE) avalia recorrer às reservas estratégicas de petróleo, enquanto líderes do G7 devem discutir o tema em reunião por videoconferência nesta quarta-feira, segundo o ministro francês da Economia, Roland Lescure.

Incidentes contra navios

A crise na região — considerada uma das principais passagens marítimas para navios petroleiros do mundo — provocou reação imediata no mercado internacional de petróleo, com alta da commodity e aumento das preocupações sobre possível escassez de combustíveis. De acordo com a agência marítima britânica UKMTO, um porta-contêineres e dois cargueiros foram atingidos por “projéteis desconhecidos”. A organização contabiliza 14 incidentes contra navios desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, no Estreito de Ormuz.

Entre as embarcações atingidas está Mayuree Naree, um graneleiro com bandeira da Tailândia,   atacado enquanto transitava pela região, segundo a Marinha tailandesa. Vinte tripulantes foram resgatados, mas três permaneciam desaparecidos, informou o Ministério de Transportes da Tailândia. Mais cedo, o navio porta-contêineres One Majesty, de bandeira japonesa, sofreu danos leves provocados por um projétil desconhecido a cerca de 46 quilômetros a noroeste de Ras Al Khaimah, nos Emirados Árabes Unidos. Duas fontes de segurança marítima confirmaram o incidente à Reuters, enquanto a proprietária do navio, a Mitsui O.S.K., declarou que todos os tripulantes estão a salvo.

Outro cargueiro atingido foi o Star Gwyneth, graneleiro com bandeira das Ilhas Marshall, que navegava aproximadamente 80 quilômetros a noroeste de Dubai. Conforme a empresa de gestão de riscos marítimos Vanguard, o projétil causou danos no casco da embarcação, embora a tripulação esteja segura. A AFP acrescentou que uma quarta embarcação também foi atingida, sem confirmação de danos ou nacionalidade.

Em comunicado, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter disparado também contra o navio Express Rome, de bandeira da Libéria. O sistema Marine Traffic indicou que o navio navegava pelo Golfo Pérsico naquela manhã, mas a proprietária ainda não havia se pronunciado.

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