ALERTA GLOBAL

Aviação comercial enfrenta aumento de emergências médicas em voos longos

Por Marcelo Cabral - Em 02/01/2026 às 9:10 AM

Voos longos podem gerar problemas de saúde para os passageiros                  Foto: Divulgação/Emirates

O avanço das viagens internacionais e o crescimento histórico da aviação comercial trouxeram à tona um alerta silencioso: o aumento das emergências médicas em pleno voo. Em 2024, o número de passageiros em rotas de longa duração superou a marca de 4,7 bilhões no mundo, ampliando a exposição a fatores de risco frequentemente subestimados, como desidratação, hipóxia leve, elevação da pressão arterial e longos períodos de imobilidade.

Estudos do setor indicam que cerca de um a cada 604 voos registra algum tipo de intercorrência médica. Embora os problemas cardiovasculares representem aproximadamente 7% dos incidentes, eles respondem por mais da metade dos pousos não programados. Com aeronaves capazes de operar rotas superiores a 15 horas, o estresse fisiológico se intensifica, alterando padrões circulatórios e potencializando gatilhos cardíacos, sobretudo em passageiros mais vulneráveis.

O crescimento acelerado do fluxo global pressiona aeroportos e companhias aéreas a fortalecer estruturas de triagem, atendimento e resposta rápida – um desafio em ambientes que, historicamente, não foram concebidos para lidar com demandas médicas complexas. No Brasil, terminais que concentram voos internacionais de longo curso já registram aumento no acionamento de equipes médicas por sintomas como dor torácica, falta de ar, arritmias e mal-estar generalizado, quadro frequentemente agravado pelo calor, pelo cansaço acumulado e pela lotação típica dos períodos de férias.

Protocolos de prevenção e atendimento

Victor Reis alerta que é necessário mudança de mentalidade do setor

Nesse contexto, companhias aéreas e operadores aeroportuários discutem protocolos mais rigorosos de prevenção e atendimento, com ampliação de equipes treinadas, áreas de suporte médico e integração com serviços especializados. Para Victor Reis, presidente do Grupo Med+, o cenário exige uma mudança de mentalidade no setor. “O passageiro precisa entender que o voo não é um ambiente neutro. A altitude, a pressurização e o longo período sentado podem agravar condições pré-existentes. Por isso, preparar o corpo antes de viajar e buscar orientação médica quando necessário é uma medida essencial de segurança”, afirma.

O setor aeroportuário atravessa um processo de readequação, com demanda crescente por postos de atendimento mais robustos, tecnologias de monitoramento e protocolos integrados entre operadores aéreos e equipes de emergência. A tendência global aponta para uma aviação cada vez mais preparada do ponto de vista clínico, e não apenas operacional. Países da Europa e da Ásia já discutem a adoção de testes rápidos de saúde antes de viagens longas, ampliação obrigatória de desfibriladores automáticos e treinamento avançado de tripulações para emergências cardíacas.

No Brasil, aeroportos começam a seguir a mesma direção, reforçando equipes, estruturando fluxos integrados com bombeiros de aeródromo e adotando tecnologias que aceleram o diagnóstico inicial. Fatores como hidratação inadequada, consumo excessivo de álcool antes do embarque, sedentarismo e estresse pré-viagem figuram entre os principais associados ao aumento dos casos, especialmente em rotas superiores a oito horas.

A combinação entre maior volume de passageiros e voos cada vez mais longos torna urgente o redesenho da experiência de viagem, incorporando a saúde como elemento central da segurança aeroportuária. As projeções para 2026 indicam que a saúde tende a se consolidar como um dos novos pilares estratégicos da aviação, impulsionando investimentos, reorganizando fluxos e ampliando o papel dos aeroportos como estruturas essenciais de proteção ao viajante.

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