
Banco Central do Brasil divulga nesta quarta-feira suas decisões sobre taxas de juros. Foto: Divulgação
O Banco Central do Brasil e o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, divulgam nesta quarta-feira (28) suas decisões sobre taxas de juros. Se as projeções do mercado se confirmarem, as duas autoridades monetárias devem seguir o mesmo caminho: manter os juros inalterados, em um movimento de cautela diante do cenário econômico doméstico e internacional.
No Brasil, a taxa Selic permanece em 15% ao ano desde junho do ano passado, resultado de um ciclo de aperto monetário conduzido pelo Copom (Comitê de Política Monetária) com o objetivo de conter a inflação. A expectativa predominante é de manutenção da taxa nesta reunião. De acordo com levantamento da Bloomberg, entre 35 instituições financeiras consultadas, 32 projetam a Selic estável.
Até o fim de 2025, o mercado se dividia quanto ao início do processo de flexibilização da política monetária, com apostas concentradas entre janeiro e março de 2026. No entanto, o ambiente de incerteza na política doméstica, a desaceleração gradual da atividade econômica e a volatilidade do cenário global levaram os economistas a adotar uma postura mais prudente, provocando sucessivas revisões nas estimativas.
Corte de juros
Agora, o consenso aponta para o início dos cortes de juros na reunião seguinte do Copom. Segundo o boletim Focus divulgado nesta semana, a projeção é de um corte de 0,5 ponto percentual em março, marcando o início do ciclo de redução. Ainda conforme o relatório, a Selic deve encerrar 2026 em 12,25%.
Nos Estados Unidos, a expectativa é de que o Fed interrompa o ciclo de cortes de juros, mesmo diante da pressão do presidente Donald Trump por custos de financiamento mais baixos e da abertura, neste mês, de uma investigação criminal contra o presidente da instituição. Em dezembro, o banco central americano reduziu a taxa básica em 0,25 ponto percentual, para o intervalo entre 3,5% e 3,75%, levando os juros ao menor patamar em três anos. Foi a terceira redução consecutiva.
A inflação americana permaneceu em 2,7% em dezembro, acima da meta do Fed, porém em linha com as expectativas do mercado. Já os dados de emprego vieram abaixo do previsto, sinalizando uma desaceleração do mercado de trabalho, fator que também entra no radar das decisões de política monetária da maior economia do mundo.
O compasso de espera adotado por Banco Central e Fed reflete um momento de transição, em que sinais de alívio inflacionário convivem com riscos fiscais, políticos e geopolíticos, exigindo decisões calibradas para os próximos passos da economia global.