Mercado Financeiro
Brasil concentra quase 60% dos dividendos da América Latina no início de 2026
Por Redação - Em 23/07/2026 às 4:17 PM

As companhias do país repassaram aproximadamente US$ 6,3 bilhões aos acionistas entre janeiro e março FOTO: Agência Brasil
As empresas brasileiras reforçaram sua posição de liderança na distribuição de dividendos na América Latina no primeiro trimestre de 2026. De acordo com a primeira edição do Global Dividend and Buyback Index, elaborado pela gestora Janus Henderson, as companhias do país repassaram aproximadamente US$ 6,3 bilhões aos acionistas entre janeiro e março, o equivalente a quase 60% dos US$ 10,5 bilhões distribuídos em toda a região no período.
O levantamento aponta que os dividendos pagos pelas empresas latino-americanas cresceram 15% em relação ao primeiro trimestre de 2025. No Brasil, o avanço subjacente foi de 9,6%, desempenho superior à média global do índice. Segundo a Janus Henderson, o resultado reflete a capacidade de geração de caixa das grandes companhias brasileiras, especialmente dos setores financeiro, de energia e mineração.
Entre os destaques do trimestre está a mineradora Vale, que ampliou o dividendo por ação de R$ 2,66 para R$ 3,58 na comparação anual, impulsionada, em parte, pelo pagamento de dividendos extraordinários. O setor de mineração também teve papel relevante em outros mercados da região, como o México, onde o crescimento dos dividendos foi liderado pelo Grupo México.
Na sequência do Brasil aparecem Chile, com cerca de US$ 2 bilhões distribuídos em dividendos no trimestre, e México, com aproximadamente US$ 1,4 bilhão. Apesar do crescimento regional, a Janus Henderson destaca que a distribuição de dividendos na América Latina continua fortemente concentrada em poucos mercados e depende, em grande medida, do desempenho de setores ligados às commodities.
Em escala global, os dividendos somaram US$ 424,5 bilhões entre janeiro e março, alta de 10,1% frente ao mesmo período de 2025. A gestora projeta crescimento de 8,3% nos pagamentos ao longo de 2026, enquanto as recompras de ações devem recuar 1,1%, refletindo um cenário de juros elevados, incertezas comerciais e riscos geopolíticos.
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