Caça F-39 Gripen

Brasil passa a produzir caça supersônico e entra no grupo de países com domínio tecnológico militar

Por Marlyana Lima - Em 25/03/2026 às 5:12 PM

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Presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da cerimônia de batismo da aeronave supersônica em São Paulo – Foto: Ricardo Stuckert/PR

O Brasil deu um passo decisivo na consolidação de sua indústria de defesa ao apresentar o primeiro caça supersônico produzido em território nacional. Desenvolvido por meio da parceria entre a Embraer e a Saab, o caça F-39E Gripen deixa de ser apenas um projeto de aquisição para se tornar um vetor de transformação industrial.

A produção local insere o país em um grupo seleto de nações com domínio sobre tecnologias avançadas de combate aéreo — um movimento que vai além da defesa e toca diretamente na autonomia estratégica e na capacidade de inovação nacional.

Mais do que entregar aeronaves, o programa foi estruturado para transferir conhecimento. Ao longo dos últimos anos, mais de 350 profissionais brasileiros foram treinados em engenharia, desenvolvimento e operação, criando uma base técnica capaz de sustentar novos ciclos de inovação no setor.

Solenidade de lançamento

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A entrega da aeronave supersônica representa um marco na aviação nacional

O primeiro caça F-39E Gripen produzido no Brasil foi apresentado nesta quarta-feira (25) ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A cerimônia de batismo da aeronave supersônica, produzida pela Embraer e pela empresa sueca Saab, ocorreu no Aeródromo Embraer Unidade Gavião Peixoto, em São Paulo.

De acordo com o Planalto, a produção da aeronave em território nacional representa um marco que insere o Brasil em “um seleto grupo de nações” com capacidade para desenvolver e produzir aeronaves de combate de alta complexidade – algo inédito na América Latina.

Durante a visita, Lula foi apresentado também ao carro-voador eVTOL. Esse protótipo de veículo aéreo 100% elétrico, que decola e pousa verticalmente, foi desenvolvido por uma empresa subsidiária da Embraer, a Eve Air Mobility.

Peso simbólico e industriual

O presidente da Saab, Micael Johansson, destacou o peso simbólico e industrial do momento: “Agora o Brasil faz parte do seleto grupo de países capaz de produzir essa aeronave, mostrando capacidade, dedicação e excelência técnica.”

A avaliação é compartilhada dentro do próprio governo. Durante a cerimônia, o vice-presidente Geraldo Alckmin reforçou o papel estratégico da indústria de defesa: “A indústria de defesa é um seguro para a soberania nacional e a vanguarda do desenvolvimento industrial.”

O programa também gera efeitos diretos na economia. Já são mais de 2 mil empregos diretos e cerca de 10 mil indiretos, além da integração de empresas brasileiras a uma cadeia produtiva de alto valor agregado.

Para o Comandante da Aeronáutica, o tenente-brigadeiro do Ar Marcelo Damasceno, a entrega da aeronave supersônica – “a mais importante da história da aviação nacional” – representa um marco.

Segundo ele, este batismo cerimonial consolida a transição do planejamento à execução, bem como da expectativa à realidade, disse ao lembrar que, das 36 aeronaves adquiridas, 15 serão produzidas em instalações brasileiras, o que favorecerá uma cadeia produtiva de elevado valor agregado.

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