INVESTIMENTOS GLOBAIS
Capital estrangeiro impulsiona M&A no Brasil com R$ 110 bilhões em 2025
Por Marcelo Cabral - Em 17/03/2026 às 1:18 PM
O avanço das operações de fusões e aquisições (M&A) no Brasil tem redesenhado o mapa de investimentos no País e reposicionado empresas nacionais no cenário global. Em 2025, o movimento ganhou tração expressiva, impulsionado sobretudo pelo capital estrangeiro, que ampliou sua presença de forma decisiva nas transações realizadas em território nacional.

CBA, que pertencia à Votorantim, foi vendida às estrangeiras Chinalco e Rio Tinto por R$ 4,7 bilhões
De acordo com dados recentes, as operações de M&A envolvendo empresas brasileiras com compradores internacionais saltaram de 31% em 2024 para 41% no ano passado – um crescimento significativo que evidencia a confiança renovada do investidor estrangeiro no mercado nacional. Em termos financeiros, segundo reportagem do Valor Econômico, dos R$ 267,7 bilhões movimentados em fusões e aquisições no Brasil, R$ 110 bilhões tiveram origem em capital externo.
O ritmo se manteve aquecido no início deste ano, com destaque para operações transnacionais de maior porte, refletindo uma dinâmica mais sofisticada e globalizada. Levantamento da Dealogic, consultoria que acompanha o mercado mundial, revela que a participação estrangeira já alcança ao menos 76% do volume financeiro transacionado neste ano – um indicativo claro de que o Brasil está inserido em um ciclo global de realocação de portfólios.
Fatores geopolíticos e econômicos
Esse movimento é impulsionado por fatores geopolíticos e econômicos. As incertezas internacionais, especialmente no ambiente político norte-americano, têm favorecido mercados emergentes, como o Brasil, que passam a ser vistos como alternativas estratégicas para diversificação de investimentos.
Entre as transações mais emblemáticas, destaca-se a venda da CBA (Companhia Brasileira de Alumínio), da Votorantim, para a chinesa Chinalco e a anglo-australiana Rio Tinto, em um negócio de R$ 4,7 bilhões. Outro exemplo relevante foi a aquisição de uma parte da Global Eggs pelo fundo americano Warburg Pincus, por US$ 1 bilhão – operações que ilustram o apetite estrangeiro por ativos brasileiros de grande porte.
A presença internacional também se diversifica geograficamente. Compradores da América do Norte lideraram as aquisições no último ano, com participação de 14,3%, enquanto a Europa respondeu por 36,7% e a Ásia por 34%. O cenário aponta para um fluxo crescente em direção aos mercados emergentes, ao mesmo tempo em que empresas brasileiras passam a considerar, com mais intensidade, investimentos no exterior.
Especialistas do mercado financeiro observam que setores como infraestrutura, recursos naturais – incluindo terras raras -, tecnologia e serviços financeiros têm concentrado maior interesse internacional. A leitura predominante é de que o Brasil reúne ativos estratégicos em um momento em que grandes volumes de capital global buscam novas alocações.
Esse novo ciclo de M&A não apenas reforça a atratividade do País, mas também sinaliza uma transformação estrutural no ambiente de negócios. Mais do que um movimento conjuntural, trata-se de uma reconfiguração que amplia a integração do Brasil à economia global, consolidando-o como destino prioritário para investimentos de longo prazo.
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