Comércio exterior

Ceará amplia vendas de aço aos EUA e dribla impacto das tarifas de Trump

Por REDAÇÃO - Em 22/05/2026 às 1:11 PM

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Operações no Porto do Pecém ganharam protagonismo no avanço das exportações cearenses de aço — Foto: divulgação

Mesmo diante do aumento das barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos, o Ceará registrou forte avanço nas exportações de aço para o mercado norte-americano em 2025 e se destacou como um dos poucos pontos fora da curva no comércio exterior brasileiro. Dados do Banco Central apontam que o Estado teve alta de 59,4% no valor exportado do setor, enquanto as vendas brasileiras para os EUA recuaram 6,7% no mesmo período.

O desempenho cearense foi impulsionado pelo crescimento expressivo no volume embarcado, que avançou 81,9% ao longo do ano e compensou a queda de 13,3% nos preços médios do aço exportado. O resultado, impulsionado pela usina da ArcelorMittal no Pecém, elevou o volume financeiro das exportações do segmento de US$ 0,7 bilhão, em 2024, para US$ 1,1 bilhão em 2025.

O movimento ganhou ainda mais força entre agosto e novembro do ano passado, período considerado o mais crítico do choque tarifário promovido pelo governo de Donald Trump. Nesse intervalo, o Ceará registrou aumento de 218% no volume exportado para os Estados Unidos.

Segundo o levantamento do Banco Central, o desempenho do Estado foi decisivo para transformar o Nordeste na única região brasileira a apresentar crescimento nas exportações para o mercado americano durante o período de maior pressão tarifária.

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Movimentação da cadeia siderúrgica no Ceará ganhou força em 2025 mesmo com cenário adverso — Foto: divulgação

Além do impacto sobre a balança comercial, o aumento das vendas externas gerou efeito positivo equivalente a 0,84% do Produto Interno Bruto do Ceará, reforçando a importância da cadeia siderúrgica para a economia local.

Diversificação de mercado

O avanço das exportações também ocorreu para outros mercados internacionais. Somando todos os destinos, o Ceará elevou suas vendas externas de US$ 1,5 bilhão para US$ 2,3 bilhões entre 2024 e 2025. Antes do choque tarifário, os Estados Unidos concentravam 44,9% das exportações cearenses.

Enquanto isso, o cenário nacional foi de retração. As exportações brasileiras para os EUA caíram de US$ 40,4 bilhões para US$ 37,7 bilhões em 2025. O impacto foi puxado principalmente pelas regiões Sudeste e Sul, que registraram as maiores perdas no comércio com os norte-americanos.

O estudo também destaca que a tarifa média efetiva aplicada pelos EUA sobre produtos brasileiros saltou de 1,3% em 2024 para 9,1% em 2025, chegando ao pico de 22,4% em outubro, no auge das medidas protecionistas adotadas pela gestão Trump.

Apesar do cenário adverso, o Brasil conseguiu ampliar exportações para outros mercados internacionais, com crescimento de 4,7% nas vendas para países fora dos Estados Unidos, indicando uma estratégia de diversificação comercial diante das mudanças no comércio global.

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