Comércio Exterior
Ceará pode recuperar até US$ 900 milhões em exportações após revisão de tarifas nos EUA
Por Suzete Nocrato - Em 23/02/2026 às 10:06 AM

Com as novas tarifas, as exportações do Ceará para os Estados Unidos podem dobrar. Foto: Ascom/CIPP
A recente revisão na política tarifária norte-americana reacende expectativas no comércio exterior cearense. Segundo projeção do diretor da JM Negócios Internacionais, Augusto Fernandes, os setores exportadores do Ceará podem recuperar entre US$ 700 milhões e US$ 900 milhões em vendas internacionais ao longo dos próximos seis meses.
A estimativa surge após a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de ajustar as tarifas globais que incidem sobre produtos estrangeiros. Conforme publicado por ele na rede social Truth Social, as alíquotas foram elevadas de 10% para ”o nível totalmente autorizado e legal de 15%”. Anteriormente, os percentuais haviam alcançado 50%, medida que impactou fortemente as cadeias exportadoras.
Setores estratégicos
Entre os segmentos com maior potencial de reação estão pescados, frutas tropicais — com destaque para a manga —, mel, castanha, café e calçados. Caso o cenário projetado se confirme, o volume adicional poderá representar quase uma duplicação das exportações do Ceará para os Estados Unidos, mercado historicamente relevante para o Estado.
Em 2025, considerando todos os setores, o Ceará registrou US$ 1,05 bilhão em receitas provenientes do comércio exterior. Já em janeiro de 2026, as exportações ultrapassaram US$ 57 milhões, sinalizando uma possível retomada.
Os números foram compilados pelo Centro Internacional de Negócios do Ceará (CIN), vinculado à Federação das Indústrias do Estado do Ceará.
Impactos do tarifaço
A imposição anterior das tarifas interrompeu um ciclo de expansão do setor exportador. Em 2025, houve retração em comparação ao ano precedente. As perdas foram significativas:
-
Pescados: redução de US$ 13,1 milhões (-25%)
-
Preparações hortícolas: queda de US$ 5,6 milhões (-15%)
-
Calçados: diminuição de US$ 2,6 milhões (-7%)
A manga, um dos produtos atingidos pelas tarifas, sofreu impacto direto. De acordo com o especialista, o segmento perdeu uma safra inteira após a interrupção das exportações.
No caso dos pescados, o efeito foi ainda mais sensível. Os Estados Unidos figuravam como principal parceiro comercial do setor. Dados da Fiec indicam que, em 2025, o Ceará exportou US$ 39,4 milhões em pescados para o mercado norte-americano — o equivalente a 46% do total da categoria, volume que já era 25% inferior ao registrado em 2024.
Apoio estatal
Mesmo diante da retração, o setor conseguiu preservar sua operação graças às medidas adotadas pelo Governo do Estado. Segundo o diretor do Sindicato das Indústrias de Frio e Pesca do Ceará (Sindifrio), Paulo Gonçalves, foram implementadas ações como auxílio financeiro, compra de produtos, antecipação de pagamento de créditos e ampliação de incentivos fiscais.
A eventual recomposição das exportações, agora impulsionada pela nova configuração tarifária, poderá redefinir o ritmo do PIB industrial cearense, fortalecer cadeias produtivas estratégicas e restabelecer a competitividade internacional do Estado.
Mais notícias
Resultados corporativos


![[set] Banners Dinheiro Na Mão 830x110px](https://www.portalin.com.br/wp-content/uploads/2026/01/set-banners-dinheiro-na-mao-830x110px.png)





























