Mercado de capitais

Compass capta R$ 2,8 bilhões em IPO e encerra seca de quase cinco anos sem estreias na bolsa brasileira

Por Redação - Em 08/05/2026 às 4:30 PM

B3, Bolsa De Valores, Ibovespa Foto Agência Brasil

Na prática, a operação recoloca a bolsa brasileira no radar de grandes emissões e pode abrir espaço para novas listagens FOTO: Agência Brasil

A Compass, subsidiária de gás natural e energia da Cosan, reabriu a janela de ofertas públicas no Brasil ao levantar R$ 2,82 bilhões em sua estreia na B3, encerrando um jejum de quase cinco anos sem IPOs no mercado acionário brasileiro. A operação foi precificada a R$ 28 por ação, no piso da faixa indicativa, envolvendo a venda de 76,8 milhões de papéis. Com o lote suplementar, a captação pode alcançar R$ 3,2 bilhões.

Mesmo saindo no valor mínimo, a oferta marcou um teste relevante para o apetite dos investidores em um ambiente ainda pressionado por juros elevados, volatilidade internacional e maior seletividade para novas listagens. A estreia representa o primeiro IPO da B3 desde 2021, período em que o mercado brasileiro ficou praticamente fechado para novas emissões de grande porte.

A transação também reforça a estratégia da Cosan de destravar valor em ativos considerados estratégicos. A Compass atua em distribuição de gás, infraestrutura e soluções energéticas, incluindo participação na Comgás, e chega ao mercado com perfil de companhia voltada a negócios mais previsíveis e geração recorrente de caixa. A abertura de capital busca ampliar acesso a financiamento e fortalecer capacidade de expansão em infraestrutura energética.

Apesar da captação bilionária, a precificação no piso sinaliza que investidores mantêm cautela, exigindo descontos mesmo em operações consideradas de alta qualidade. Ainda assim, o sucesso da emissão pode representar um marco simbólico para o mercado brasileiro, funcionando como termômetro para futuras ofertas e possível retomada gradual do pipeline de IPOs, caso o cenário macroeconômico se torne mais favorável.

Na prática, a operação recoloca a bolsa brasileira no radar de grandes emissões e pode abrir espaço para novas listagens, após um dos períodos mais longos de paralisação do mercado primário desde a consolidação da B3.

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