PESQUISA DO IPDC
Confiança do consumidor em Fortaleza atinge melhor o seu nível desde 2023
Por Marcelo Cabral - Em 03/03/2026 às 5:16 PM
O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) de Fortaleza alcançou 126,2 pontos este mês, registrando leve avanço de 0,1% em relação a janeiro (126,0 pontos). Divulgado pela Fecomércio Ceará, por meio do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Ceará (IPDC), o resultado é o mais elevado desde maio de 2023, quando o indicador atingiu 127,3 pontos – sinalizando um início de ano favorável para o comércio da capital cearense.

Cláudia Brilhante afirma que consumidor está confiante, mas mantém cautela Foto: Facebook
O desempenho reflete a combinação entre melhora na percepção da situação atual e um discreto ajuste nas expectativas futuras. O Índice de Situação Presente (ISP) avançou 3,1%, passando de 118,5 para 122,1 pontos. Já o Índice das Expectativas Futuras (IEF) recuou 1,7%, situando-se em 128,9 pontos. Apesar do recuo, ambos permanecem em patamar elevado, sustentando o ICC em zona considerada positiva para o mercado de consumo.
A pesquisa revela que 63,4% dos entrevistados consideram o momento propício para a aquisição de bens duráveis. A percepção é ainda mais expressiva entre mulheres (64,1%), consumidores de 25 a 34 anos (70,3%) e famílias com renda superior a sete salários-mínimos (72,7%).
Compra mais seletiva
Mesmo diante de um ambiente de confiança elevada, a intenção efetiva de compra apresentou acomodação. O índice recuou de 45,5% em janeiro para 35,7% em fevereiro – uma queda de 9,8 pontos percentuais. Ainda assim, supera o registrado no mesmo período de 2025 (33,7%).
A maior disposição para consumir é observada entre mulheres (36,1%), jovens de 18 a 24 anos (37,1%) e consumidores com renda entre três e sete salários-mínimos (42,6%). O valor médio das compras projetado é de R$ 636,25.
Entre os itens mais demandados estão móveis e artigos de decoração (15,0%), geladeiras e refrigeradores (14,9%), roupas (13,6%), televisores (13,5%), calçados (11,8%), máquinas de lavar (9,9%) e celulares (9,0%). A concentração da procura em eletrodomésticos essenciais e bens semiduráveis revela um consumidor mais criterioso, que prioriza reposição e melhoria do conforto doméstico – movimento alinhado ao calendário de liquidações típicas do início do ano.
Para a diretora institucional da Fecomércio Ceará, Cláudia Brilhante, o cenário combina confiança e prudência. “Os dados mostram que o consumidor está mais confiante, especialmente em relação à sua situação financeira, mas mantém uma postura estratégica. Ele aproveita as liquidações para adquirir bens necessários, priorizando funcionalidade e preço. Isso cria um ambiente positivo para o comércio, embora ainda marcado por decisões de compra mais planejadas”, avalia.
Nesse contexto, a confiança elevada não se traduz automaticamente em expansão generalizada do consumo, mas fortalece um perfil mais racional e oportunista – atento a condições vantajosas de preço e financiamento, e disposto a comprar com planejamento.
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