
Em 2025, o Brasil exportou US$ 44 bilhões em petróleo bruto para o mundo todo. Foto: Edson Passarinho/AFP via Getty Images
A escalada do conflito no Oriente Médio, desencadeada após ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, pode gerar efeitos inesperados a mais de 10 mil quilômetros de Teerã. De acordo com analistas consultados pela BBC News Brasil, o Brasil surge como um possível beneficiário indireto da crise, sobretudo no mercado internacional de petróleo.
O cenário ganhou novos contornos quando, na segunda-feira, 2, o Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica do comércio energético global.
Estima-se que cerca de 20% da produção mundial de petróleo transite por essa passagem marítima localizada no Golfo Pérsico, considerada uma das artérias mais sensíveis da segurança energética global.
Caso o bloqueio se prolongue, economias dependentes do petróleo do Golfo Pérsico poderão ser obrigadas a buscar novos fornecedores. Entre os países mais afetados estariam China, Índia e Japão, grandes consumidores da commodity e altamente dependentes das rotas energéticas da região.
Nesse contexto, especialistas ouvidos pela BBC News Brasil afirmam que o Brasil poderia ampliar significativamente suas exportações de petróleo bruto, aproveitando a eventual redução do fluxo. proveniente do Oriente Médio. Desde 2024, o petróleo tornou-se o principal produto da pauta de exportações brasileira, superando commodities historicamente dominantes como soja e minério de ferro.
Infraestrutura brasileira
Os analistas apontam que o Brasil está relativamente bem posicionado para responder a uma possível reconfiguração do mercado energético. O país conta com infraestrutura consolidada de portos, oleodutos e terminais de exportação, além de uma logística voltada para o envio de petróleo a diversos mercados internacionais.
Outro fator estratégico é a segurança das rotas comerciais brasileiras, que não dependem de passagens consideradas críticas para o comércio global, como o próprio Estreito de Ormuz. Essa condição poderia facilitar o fornecimento de petróleo brasileiro para mercados europeus e asiáticos, caso haja interrupções prolongadas na oferta do Golfo.
Caso o impasse se prolongue, o Brasil, já consolidado como importante produtor de petróleo offshore, pode ganhar protagonismo estratégico no equilíbrio energético global.

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